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Emoção na camisa 9: Ricardo Oliveira manda recado para a Massa

4/9/2018 16:18
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Em entrevista coletiva concedida na tarde desta terça-feira, na Cidade do Galo, o atacante Ricardo Oliveira mandou um recado emocionante para a torcida atleticana, confira:

“Quero trazer à memória algo que aconteceu comigo no último final de ano, quando tive possibilidades de permanência no Santos e de sair para outros lugares. Mas uma coisa mexeu comigo, sou um cara movido a desafios, que nunca se deu bem em zona de conforto, haja vista para quem saiu lá do bairro do Carandiru, quando tive que comer do lixo, catar papelão e viver no meio de uma comunidade em que, às vezes, você tinha que dormir no chão por causa de tiro, que perfurava o barranco onde a gente morava. As coisas que acontecerão em minha vida nunca foram fáceis e dou graças a Deus por isso porque aquilo que vem fácil não tem um sabor vitorioso, de conquista, que você teve que suar para conquistar. Assisti o Atlético jogar, em 2013, onde o Atlético tinha que se reinventar a cada partida. E houve um canto que contagiou o Brasil, que era o canto da nossa torcida dizendo “Eu Acredito”. Em todos os jogos, no Independência ou no Mineirão, escutava-se esse grito de ‘Eu acredito’, “Eu acredito”. Joguei contra o Atlético aqui e ouvi esse grito contra. Era de arrepiar. Foi algo que me motivou a vir para cá, além do financeiro, que também foi bom para mim, não sou hipócrita de falar que não foi, o que me motivou a vir foi sentir esse calor, ter esse grito a meu favor, essa torcida empurrando o meu time para frente, o seu time do coração para frente. Quando cheguei aqui, cheguei debaixo de muita desconfiança e muitas incertezas por causa da minha idade e dos problemas físicos que sofri no Santos, problemas atípicos que não dá para evitar, uma caxumba, uma pneumonia. Joguei pouco, fiz 40 jogos no ano e 12 gols. E, aqui, estou quase batendo os 40 jogos, não sofri nenhuma lesão, tenho 18 gols, brigando pela artilharia do campeonato, mas sinto que o torcedor está meio inseguro, triste. Não sei se pelo fato de não estarmos apresentando o jogo que eles gostariam e que, de fato, queríamos apresentar. Acredito que o resultado que estamos dando até agora, se não é dos melhores, não é o pior. Estamos a cinco pontos do quarto colocado e a seis do terceiro. Estamos a duas vitórias de bater lá em cima. Venho para falar dessa realidade, falando nos quatro primeiros colocados, restando, ainda, 16 jogos no Campeonato Brasileiro. Não é esse ambiente que quero enfrentar aqui. O ambiente não é hostil, mas não é o ambiente favorável que gostaria de sentir. Quero transmitir essa mensagem positiva para o torcedor porque, quando vem de fora para dentro, mexe, contagia. De dentro, a gente transmite para fora e, juntos, somos muito mais fortes, aí ninguém ganha. Sei que é assim porque vi o que o Atlético fez em anos passados e todo mundo que vinha aqui perdia, por causa do grito dessa torcida, e vem para dentro com o jogador, o cara se sente um gigante lá dentro e vai, se ele erra uma bola, o torcedor não vaia, aplaude, joga para cima. No esporte coletivo, quando falta um, quando um está fora, não está comprometido, envolvido, ou está se sentindo pressionado, compromete todo o coletivo. Aceitei o projeto do Atlético e falei que daria o resultado dentro de campo. Não estou satisfeito com o resultado no todo, meu, pessoal. Sei que posso melhorar e vou melhorar, vamos melhorar, o time vai crescer. Não desisti de sonhar e acreditar que isso aqui ainda vai virar, vai virar porque o trabalho consegue o resultado que ele busca, que ele prepara para obter. E, aqui, tem trabalho, tem qualidade, tem pessoas que estão envolvidas com isso. Quando o presidente Sérgio me chamou, através do Alexandre Gallo, e eles me passaram esse projeto para vir para cá, aceitei, recebi o carinho do torcedor e quero que o torcedor não deixe de nos transmitir esse carinho para nós. Não quero ele pegue um ponto negativo, pessimista, e acabe jogando esse peso em cima do time, quando ainda temos muitos jogos pela frente e coisas grandes para disputar dentro da competição. Eu acredito! Eu acredito! Não é só discurso de querer jogar para cima, acredito porque sou um cara de fé, já falei para vocês de onde saí e não me envolvi com drogas, não roubei e não fiz nada de errado. Acreditar no trabalho é saber que vale a pena vir cá, dar sua vida, se dedicar e dar o seu melhor. Voltar para casa feliz porque você deu o seu melhor, receber o abraço do filho e da esposa porque você saiu de casa e voltou. Quando a gente volta para casa com uma derrota, é triste, a gente não dorme direito, fica dando voltas à noite. E, quando perco gols, é a mesma coisa viu, torcedor. É assim também, não fico feliz, custo para dormir, para digerir, principalmente quando compromete o resultado coletivo, como foi contra o Vitória. Então, também sinto essa tristeza, mas não deixo que ela tome conta, que me derrube. Serve de estímulo porque venho para cá e trabalho mais e mais. Então, acho que o torcedor precisa, nesse momento, demonstrar que, de fato, ele é Galo mesmo, é apaixonado por esse clube e vai abraçar os jogadores que estão aqui, porque não depende só de nós, dependemos deles também, é uma parceria e precisamos disso. Fiquei pensando no que falar hoje, mas vim com esse discurso porque eu queria sentir novamente esse torcedor do meu lado, me jogando para cima, me carregando nos braços e falando: “Vamos embora que estamos juntos, 16 jogos, vamos embora, estamos juntos. Deu errado um, dois, três, quatro ou cinco, mas tem 16 em que a gente vai lutar e vamos estar com vocês até o final”. Saibam que ninguém errou porque quis errar, a gente trabalha para acertar. É com esse discurso que venho aqui falar e é por isso que estou feliz aqui no Atlético, mas gostaria de sentir esse calor que vi de fora, gostaria de ver o torcedor envolvido comigo, envolvido com os jogadores. Nunca fui muito bom de fazer marketing, fui bom de demonstrar, nisso eu sou bom. Quando me coloca lá dentro daquele campo verde, das quatro linhas, ali sou bom, bom de dar o meu melhor, de buscar o meu melhor. Erro muito, com 38 anos, erro demais, mas trabalho muito e sei que vou acertar muito mais do que errei. O índice de sucesso na vida de uma pessoa corresponde a 15%, são os vencedores, homens de sucesso que não desistiram. Não sou eu que vou desistir. Será que o torcedor vai abrir mão do seu clube do coração, que é a paixão do torcedor atleticano? Não vai, não foi isso que vi de fora e não é isso que vejo aqui dentro, aqui, ninguém abre mão de nada. A gente sabe que não é fácil, não é um discurso para jogar para cima e achar que é fácil. Não é, mas o bom é isso, que não é fácil, porque vamos lutar com todas as forças para reverter essa situação e dar alegria ao nosso torcedor. Um dia ruim, uma semana ruim, um mês ruim, um ano ruim, não pode condicionar minha vida, não pode significar que tenho uma vida ruim. E, para mim, não é assim. Sei onde estou, a camisa que estou vestindo, o peso da minha torcida, os companheiros que tenho, estou com campeões da Libertadores aqui, caras que fizeram história no clube. Estou com pessoas jovens que têm projetos incríveis para esse clube e estão tentando desenvolver, colocar em prática. E eu, com 38 anos, sendo um dos mais velhos do time, continuo sonhando como uma criancinha e é isso que me motiva. Fico feliz com o resultado, mas sei que posso melhorar e vou trabalhar muito para dar ainda muito mais, mais gols, títulos, para fazer com que o torcedor tenha novamente essa alegria de gritar Atlético, lutar, lutar, lutar, eu acredito, eu acredito, eu acredito”.
“Os jogadores também sentem. Sabemos da nossa realidade na competição, mas é importante, dentro desse contexto, que o nosso torcedor acredite e esteja conosco porque temos jogadores talentosos, temos condições e todo mundo sabe disso. Não podemos deixar que essa incredulidade e esse pessimismo tomem conta de muita gente. Precisamos de unir as nossas forças para arrancar no que resta agora, daqui até o final do ano. E nosso torcedor é fundamental nisso. E nós, podem ter certeza não vamos desistir. Não acredito que o torcedor atleticano fará isso porque não é do feitio dele, mas, ainda que aconteça, vamos lutar, não vamos desistir porque é o que corre no nosso sangue, é a paixão que temos de jogar futebol e de vestir a camisa de um grande clube, que é o Atlético”.