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Galo é união!

10/4/2020 17:37
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No programa Galo em Casa da última sexta-feira (10/4), que reuniu os ex-jogadores do Atlético Taffarel e Dedê, o lateral-esquerdo contou uma história que emocionou a todos e que demonstra o espírito de união que sempre existiu dentro do clube.

Comentando sobre as dificuldades que enfrentou no início de sua carreira, quando foi promovido ao time profissional do Galo, Dedê revelou que vinha guardando dinheiro com o salário de R$400,00 que recebia e que, quando completaria R$ 2 mil, acabou sendo vítima de um golpe e perdendo tudo que havia juntado.

“Passei muita dificuldade, mas foram coisas que só me fortaleceram. A gente era muito unido no Atlético e teve uma situação que me marcou e me fortaleceu muito também. Quando o Taffarel fala que o nosso grupo era muito unido, é porque era mesmo. Eu estava juntando um dinheiro, acho que meu salário era R$400,00. Eu estava  com R$ 1.857,00, não esqueço esse número, fui no caixa tirar o saldo e pensei que no no próximo salário iria completar R$ 2 mil. Eu pagava umas contas, ajudava os meus pais e aí caí no golpe do cartão”, contou.

“Na época, fui ao banco, o cartão não entrava e um cara todo engravatado falou que iria me ajudar, aí eu dei o cartão para ele e pensei: o cara engravatado, está tranquilo. Dei o cartão, digitei a senha, aí, tirei o saldo, ele me deu o cartão e eu fui embora. Dois dias depois, o Mazinho falou que o Atlético tinha pagado: “Está na conta”. Ele falava, mas não estava (risos). Aí eu fui lá, todo feliz, quando olhei o saldo estava lá R$7,00. Fui lá dentro, chamei o gerente e falei que estava errado, que deveria ter R$ 2 mil e alguma coisa. Ele me chamou lá para dentro, comecei a ficar nervoso, ele entrou no computador e falou que eu tinha caído no golpe do cartão”, acrescentou Dedê.

O ex-lateral alvinegro ainda recordou que foi de ônibus para o treino, chorando bastante e que, depois da atividade, foi surpreendido com um gesto de solidadriedade de Taffarel e dos demais companheiros, algo que jamais irá esquecer.

“Eu estava lá na agência de Venda Nova e tive que ir para o centro da cidade, fui chorando dentro do ônibus. A gente tinha treino 15h30. Peguei o ônibus, fui para o treino. Eu ia completar R$ 2 mil reais, para mim… cheguei atrasado no treino, o profissional já estava treinando, desci a escada chorando e, no vestiário, o Bel ou o Seu Du, um dos dois, me acolheu, falou que estava atrasado, aí viu que eu estava desesperado, aos prantos. Mas subi para o campo, cheguei tentando segurar a lágrima e fui ao treinador para tentar explicar, mas comecei a chorar. Ele falou para eu entrar no vestiário e eu disse que não, que iria correr um pouco. Era o Eduardo Amorim. Comecei a correr na beirada do campo, passei no meio do grupo, eles me zuaram e, depois, viram que eu estava chorando. Quando acabou o treino e entrei no vestiário, um gesto de união, como falei: dentro do meu armário, tinha R$ 1.050,00. Os jogadores foram ajudando, pegaram R$30, R$50. O Cleiton, o Hernani, todo mundo foi dando sua colaboração e o Taffarel fez um cheque de mais mil. Deu dois mil reais. Não era o valor, mas o gesto, que demonstra a união que existe no Atlético. Foi um presente que o Taffarel e todos os jogadores daquela época me deram. Tenho que agradecer também a todos”, disse.

E Taffarel ainda foi com Dedê ao banco e conseguiu convencer a instituição a ressarcir o dinheiro. Mas o lateral não quis tirar vantagem da situação e fez questão de devolver o dinheiro que havia recebido de Taffarel e dos demais atletas.

“Tive uma conversa, principalmente com o Taffarel, que o dinheiro que os jogadores fizeram a “vaquinha” para mim, eu queria devolver para cada um, mas os caras não quiseram. Aí, chamei o Taffarel no canto e falei: “O dinheiro não é meu, o meu está aqui. Se vocês não querem, a gente precisa ver o que vamos fazer com ele, porque eu não quero ele. Não é charme. Eu sei que preciso, mas sempre sobrevivi com meu pouco. Aí o Taffa deu a ideia para a gente dar cesta básica para os funcionários da Vila Olímpica. Todos os jogadores concordaram e foi um dos momentos mais felizes que Deus me deu”, destacou o lateral.

Taffarel também recordou da situação e afirmou que, durante os três anos em que defendeu o Atlético, teve a oportunidade de crescer muito como pessoa.

“Eu era muito envolvido com os problemas do Atlético. Era dificuldade de pagamento, a pouca estrutura que nos ofereciam. A gente praticamente não tinha campo para treinar, depois que fizeram o atual centro de treinamentos. Uma potência. Antigamente, a gente ia num ônibus que não sabia nem se ia chegar. Era uma dificuldade. Via sempre os funcionários com salários atrasados, era uma dificuldade. Aí a gente se mobilizava. Eu estava numa outra situação, poderia ajudar mais do que eu já ajudava, mas tinha gente que não ganhava muita coisa, mas mesmo assim ajudava. No problema que o Dedê teve com o roubo, teve gente que deu pouco, mas ajudou. Muitas coisas que me fizeram crescer muito como ser humano. Conviver com essas pessoas foi inesquecível”, disse o ex-goleiro do Galo e da Seleção Brasileira.

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