A apresentação do meia Hyoran, ocorrida na tarde desta quarta-feira, na sala de imprensa da Cidade do Galo, foi um pouco diferente do habitual. Com apenas 26 anos, o jogador fez parte do elenco da Chapecoense, em 2016, e viveu, na equipe catarinense, junto com o diretor de futebol do Atlético, Rui Costa, o momento mais difícil da sua carreira. Antes de apresentá-lo, o diretor de futebol fez questão de ressaltar a importância do meio-campista naquele ano, e o quanto ele pode agregar ao Galo.
“O Hyoran ficou dez dias em Chapecó, dando o seu apoio, estando lá conosco, e jamais esqueci isso. Mas não é isso que traz o Hyoran para o Atlético, não é gratidão, não é acerto de contas. É, exatamente, conciliar, em uma única pessoa, qualidade técnica, caráter e a escolha que ele fez de pertencer ao Atlético. Para quem esteve lá, em Chapecó, sabe bem a noção que se tem de pertencimento, e o Hyoran fez questão de pertencer ao Galo”, declarou Rui Costa.
Com empréstimo até o fim de 2020, Hyoran pertence ao Palmeiras. O jogador conta que sua vinda ao Galo acontece no momento certo.
“Escolhi estar aqui no Galo. Escolhi Minas Gerais. Acho que foi o momento certo da minha carreira. Fiquei muito feliz quando teve o contato, muito ansioso até o acerto. Estou com o coração muito em paz, preparado para trabalhar e fazer uma grande temporada. Eu não sabia expressar e demonstrar minha alegria de estar aqui. A felicidade que eu estava de estar na Cidade do Galo. Tenho certeza que será um trabalho vitorioso”, disse.
Após mais de uma semana de pré-temporada, Hyoran comentou sobre esse início de trabalho e a assimilação às ideias do técnico Dudamel.
“A gente já viu que ele gosta de muita intensidade, entrega. Nesse começo de trabalho, onde a gente faz mais a parte física, ele estava sempre junto, apoiando e nos incentivando. Ele começou a implantar, taticamente, o que ele quer, a forma dele trabalhar, e a gente vem entendendo. Acredito que, até começar o campeonato, já estaremos com uma boa ideia do que ele quer e podendo corresponder dentro de campo. É claro que, nesse início, as pernas estão pesadas, mas a preparação física é o foco principal para a gente ter um bom ano”, destacou o atleta.
GALERIA DE FOTOS DA APRESENTAÇÃO

Fotos: Bruno Cantini / Agência Galo / Clube Atlético Mineiro
Confira outros trechos da entrevista coletiva de Hyoran:
2019 – “Minha última temporada, nas oportunidades que tive de jogar, fui muito bem. Devido às escolhas, não tive muitas oportunidades e acredito que, neste novo ano, aqui no Galo, as coisas vão ser diferentes. Vim pronto para ajudar e mostrar meu potencial dentro de campo, e fora dele também. E criar aqui um grande grupo e uma grande família. Um time ganha jogos e a gente quer ganhar campeonatos. Então, vamos criar isso aqui. Já vinha sendo criado com o Rui Costa e vim para agregar nisso, para fazer uma temporada boa, dentro e fora de campo, para a gente conseguir nossas conquistas”.
OPORTUNIDADE – “Acredito que as coisas não aconteceram da forma que eu imaginava, mas aconteceram da forma que Deus queria que acontecesse. Como falei, se você analisar os jogos que eu tive no Palmeiras, na Chapecoense, difícil ver um jogo em que fui abaixo da média ou muito mal. Por escolhas, acabei não tendo sequência e espero, aqui, ter essa sequência, ajudar, corresponder dentro de campo, poder fazer bons jogos e deslanchar neste ano. Fazer um ano diferente dos outros, conquistando mais, objetivos próprios, para ajudar a conquistar os objetivos do Galo”.
SEQUÊNCIA – “Espero ter a sequência de jogos aqui, mas a gente sabe que precisa criar um grupo e não ter onze titulares. Então, se essa minha sequência de jogos não for tão grande, mas, quando eu jogar, puder ajudar o Atlético a alcançar os seus objetivos, acho que isso vai ser mais importante”.
POSIÇÃO – “Onde o Dudamel colocar, estou disposto a ajudar. Já tive uma conversa com o Dudamel. Ele perguntou onde eu me sentia bem, onde eu gostava de jogar. Falou que tinha visto alguns jogos, vídeos meus. Falei que jogava pelos lados e também por dentro, e deixei a escolha por conta dele. Sei que ele vai fazer da melhor forma para, juntos, conseguirmos fazer um bom ano”.
TALISMÃ – “O apelido de talismã veio em uma época que eu fiquei um ano sem perder pelo Palmeiras. Todos os jogos em que eu participei, joguei, o time não perdeu, mas eu não gostava muito e não gosto desse rótulo. Mas, se tiver que ter esse objetivo de ficar um ano sem perder no Galo, seria bom também. Tem que entrar dentro de campo e fazer o melhor. Aproveitar cada minuto e cada oportunidade, sendo titular ou não”.
DISPUTA SADIA – “Vim para buscar ser titular. Se não viesse com esse objetivo, não tinha porque estar aqui, eu não ia ajudar o Galo. Essa briga por titularidade tem que ser do grupo inteiro, todos os jogadores. É uma briga sadia, dentro do campo, nos treinamentos, no dia a dia. Vai fazer bem para mim e para todo mundo. A opção de quem vai jogar, se eu vou jogar por dentro ou pela beirada, é decisão do Dudamel. Todos nós já estamos entendendo isso e respeitando muito as escolhas que ele vem fazendo para, juntos, fazer um bom ano e conseguir os objetivos que não são só meus, não são só do Rui Costa, são de todos nós, do Galo, da torcida, de todo o clube e de toda a cidade”.
EMPRÉSTIMO – “Vejo como uma oportunidade muito grande de estar aqui. Por empréstimo ou não. A gente sabe que, se eu for bem, o Atlético tem a opção de me comprar. Seria muito bom saber que fui comprado por um time em que vim antes por empréstimo. Vai ser porque correspondi. Então, esse é o meu objetivo. Fazer bons jogos, um bom ano, para depois deixar nas mãos deles essa opção de compra ou não”.
RECEPÇÃO – “Já me senti à vontade desde que entrei pela primeira vez aqui. Fui muito bem recebido por todos. Foi sensacional. Me senti muito em paz para trabalhar, fazer um bom ano. Espero corresponder, fazer bons jogos e ajudar o Galo a conquistar os objetivos e buscar os títulos”.
APRENDIZADO NA CHAPECOENSE – “Aquele grupo era uma família, isso que aprendi. A gente só foi vencedor aquele ano ( 2016) porque criamos uma família. Não importava quem jogava, a gente torcia pelo outro, apoiava o outro, éramos amigos. Isso fez com que a gente chegasse, com a Chapecoense, tendo um grupo talvez limitado, a uma final de Sul-Americana. É isso que quero carregar comigo. Onde eu for, quero tentar mostrar para o grupo que um time não vai ganhar campeonatos, mas um grupo, sim”.