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A excelência do trabalho realizado pelo Departamento Médico do Atlético em 2019 levou o Galo a ter resultados bastante positivos no que se refere ao número de lesões e à gravidade das mesmas.
É o que destaca o diretor médico do clube, Rodrigo Lasmar, que também exalta a estrutura da Cidade do Galo e comenta outros assuntos como as diretrizes do trabalho, focado em desempenho e prevenção de lesões, e a recuperação do volante Gustavo Blanco.
De acordo com o diretor, a temporada foi bastante positiva para o DM alvinegro, embora tenham sido disputadas 76 partidas durante o ano, número considerado bastante elevado.
“Fizemos um levantamento agora, quando o campeonato terminou e o pessoal entrou de férias. Começamos a levantar os dados que tivemos durante o ano para interpretar exatamente nossa trajetória. O que vimos é que foi um ano em que tivemos uma quantidade de jogos maior do que vínhamos tendo nos últimos anos. Chegamos a 76 jogos, número acima do que vínhamos jogando. Isso leva a um número maior de possíveis lesões, mas o que observamos é que tivemos um pouco mais de lesões do que no ano passado, que foi excepcional para nós. Com essa quantidade maior de jogos, tivemos um trabalho muito importante de prevenção de lesões, individualizado, para que pudéssemos suportar a carga de jogos. Mesmo com a média de idade um pouco alta do time titular, o que aumenta a expectativa de incidência de lesão, o ano foi muito bom. Tivemos lesões musculares dentro de um nível abaixo da média das últimas cinco temporadas e conseguimos resultados muito bons. Só não foi melhor do que ano passado, que foi excepcional. Mas, em 2018, fizemos 64 jogos e, esse ano, 76. Mesmo aumentando 20%, houve um pequeno aumento nas incidências e não chegamos nem perto do que tivemos de lesões entre 2017 e 2014. Ou seja, uma média muito boa”, destacou.
Segundo o diretor, o ano de 2019 apresentou cerca de 30% a menos de incidência de lesão e, também, menor gravidade das lesões, considerando a média das últimas cinco temporadas. Esse resultado demonstra, de acordo com Rodrigo Lasmar, que o trabalho preventivo e interdisciplinar, junto com a fisiologia, preparação física, nutrição e fisioterapia, vem sendo realizado com êxito.
“Todos esses setores, interligados, estão fazendo um trabalho muito adequado e estamos conseguindo, apesar desse número de jogos tão alto, ter uma média bem satisfatória em termos de lesões. Tivemos, de maneira geral, uma exigência muito grande, com uma parada no meio do ano, da Copa América, o que fez com que o calendário ficasse mais congestionado. Então, tivemos aí praticamente um mês a menos para que todos esses 76 jogos fossem distribuídos. Tivemos um percentual mais alto de lesões no mês de abril, que, tradicionalmente, é um mês onde temos mais lesões, assim como setembro, que também, historicamente, é um mês mais complicado. Abril coincide com as finais de Campeonato Mineiro, algumas fases de mata-mata de Copa do Brasil, Copa Sul-Americana, assim como em setembro você já entra em uma reta final de Copa Sul-Americana e com o calendário muito congestionado neste mês de setembro, o que acaba concentrando um grande número de partidas em um curto espaço de tempo”, acrescentou Lasmar.
Em relação ao volante Gustavo Blanco, que passou por cirurgia em 18 de fevereiro, para corrigir lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, Rodrigo Lasmar informou que o atleta continua em tratamento durante as férias e deverá retomar as atividades normais em fevereiro.
“Ele está em uma reta final, se recuperando muito bem. Apesar desse período todo de férias, ele continua com um acompanhamento individualizado. Todos saíram de férias e ele continuou fazendo um trabalho específico de fortalecimento, sob os cuidados da fisioterapia. Ele vai sair por alguns dias, mas vai continuar mantendo uma prescrição de exercícios para continuar fazendo. Nossa expectativa é que no início do ano que vem, no começo da temporada, ele inicie a fase final de trabalhos, ainda na fisioterapia, mas já uma transição para a preparação física. A expectativa é que, já no início de fevereiro, ele comece a estar à disposição para treinar normalmente com o grupo”, relatou o diretor médico alvinegro, que também falou sobre a situação do meia Otero, que se contundiu no último jogo da temporada, contra o Internacional, em Porto Alegre.
“O Otero teve uma entorse de tornozelo, uma situação bastante dolorosa em um primeiro momento. Ele voltou para Belo Horizonte, fizemos todas as avaliações, exames de imagem, detectamos e confirmamos um diagnóstico. A partir disso, ele foi orientado a iniciar o tratamento, inicialmente com uma proteção, uma bota para imobilização da articulação, e já iniciamos a fisioterapia dentro de alguns dias. Como o jogador necessitava dessa fase inicial de um trabalho mais de repouso, não tinha um trabalho específico para ser feito agora, liberamos para que ele saísse de férias, mas ele tem um fisioterapeuta que vai ficar nesse período com ele, para que ele possa se recuperar da melhor forma possível e, no início do ano que vem, tenha condições de já iniciar um trabalho de transição na parte física”, observou.
Rodrigo Lasmar ressaltou a importância da infraestrutura que o Atlético oferece para que o trabalho do departamento médico, focado na melhora de desempenho e na prevenção de lesões, alcance os melhores resultados.
“Temos uma estrutura muito boa. O Atlético sempre investiu muito em tecnologia, reabilitação, na estrutura do centro de treinamento. Somos referência de estrutura no Brasil inteiro e temos um material humano muito competente, profissionais que conseguem, dentro das suas funções, trabalhar melhor o que temos de melhor em termos de prevenção de lesões. Nosso foco é continuar com o esse trabalho. Esse ano, tivemos uma resposta a esse trabalho que já vem sendo implementado nas duas últimas temporadas. Um ano onde tivemos, realmente, números excelentes em termos de incidência de lesão. Quando a gente fala lesão, a preocupação não é só o atleta ficar parado, entregue ao departamento médico. Muitas vezes, com a sequência de jogos, esse número excessivo de jogos, o desgaste vem associado à queda de desempenho e, junto com isso, a reincidência de lesão. Fazemos um trabalho, procuramos entender, compreender e analisar o atleta, para que ele consiga não só evitar que se lesione, mas também que consiga atuar na sua melhor condição. Então, é um trabalho aliado de melhora de performance e prevenção de lesões. Vamos continuar investindo nesses programas individualizados, para que os atletas tenham resultados satisfatórios e excelentes dentro desse setor”, disse.
O diretor concluiu trazendo como exemplo dos bons resultados o trabalho realizado com o atacante argentino Di Santo.
“É um atleta que vinha da Europa e tinha média de jogos muito baixa, por questões específicas, mudanças de clube e tudo mais. Em três meses e meio de Atlético, ele jogou cerca de 60% a mais do que vinha jogando em uma temporada inteira nos últimos três anos na Europa. Isso porque identificamos as condições em que o atleta se encontrava, fizemos um programa específico de reequilíbrio muscular, de prevenção de lesões, e uma carga adaptativa de trabalhos físicos, de maneira gradual. Tivemos um tempo, do momento que ele chegou até o momento que ele estreou, para que ele pudesse ser preparado. Em decorrência disso, ele jogou muito mais conosco, sem nenhuma passagem pelo departamento médico, sem nenhum problema. Então, são números claros que mostram que esse trabalho, quando é feito preventivamente, de maneira interligada com fisiologia, preparação física, fisioterapia e nutrição, dá resultados”.