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Técnico analista vitória no clássico pelo Campeonato Mineiro
PERGUNTA: Como foi a conversa no intervalo? O Atlético reclama de um pênalti claro em cima do Bernard, que o árbitro sonegou. E o time voltou cm mais vontade, mais força e entrega…
SAMPAOLI: A conversa foi sobre a organização, corrigir erros, basicamente no posicionamento no gol do Cruzeiro, em uma boa enfiada, que não estávamos tão bem organizados. Modificar um pouco a pressão inicial, pois eles estavam encontrando liberdade no meio de campo. Acho que o time corrigiu, teve muito vontade e desejo de virar o jogo. E teve o prêmio de conseguir a virada. Creio que na primeira chegada, o Cruzeiro fez o gol. Isso faz com que a histeria externa, a obrigação… O time se manteve agressivo, inteligente, e virou um jogo muito difícil contra um grande rival.
PERGUNTA: Os jogadores que estavam aqui no ano passado estavam à frente de quem estava chegando, segundo você disse. Mas fale dos novatos, você colocou três para jogar, o Preciado teve que sair, mas o Maycon e o Victor Hugo foram destaques. E o gol do Hulk, o que pode representar por tudo que ele viveu no início do ano?
SAMPAOLI: Sobre os três jogadores que chegaram agora, o Preciado saiu por conta de um entorse no tornozelo (esquerdo). E creio que o Victor Hugo fez uma boa partida, muita inteligência e hierarquia. Mas, ainda não está, fisicamente, como a gente quer. Está somando a um grupo de jogadores que estão trabalhando muito, em dois períodos, todos os dias, e que estão em carga física importante. Mas esse triunfo nos dará, seguramente, mais esperança e protagonismo para encarar os próximos jogos.
Sobre o Hulk, é algo notável. São jogadores que a história, inclusive, os protegem. Ele sempre está ligado a coisas importantes. Hoje, fez um gol incrível, de virada. E combina com a grandeza que ele tem e teve durante toda a sua carreira.
PERGUNTA: O Atlético levou um gol e teve resiliência de virar o jogo, levar a partida com profundidade, alargou o campo, teve velocidade. O Atlético foi meio doido igual a torcida? Fale da sua alegria de vencer esse clássico…
SAMPAOLI: Sinceramente, eu tenho controle sobre alegria ou uma tristeza de derrota. Creio que minha avaliação como profissional tem a ver com o que o time apresentou, um protagonismo de ataque importante, inclusive no primeiro tempo, teve algumas ações para poder empatar o jogo, que foram neutralizadas. Ou faltou contundência no último toque, no último passe, mas no segundo tempo tivemos muito mais chances que o primeiro, e foram muitas oportunidades que a equipe gerou. Acho que isso tem que acontecer todo jogo, mais além de qualquer adversidade. Hoje era uma partida chave para nós, e corrigir um monte de aspectos que temos que corrigir, são muitos. E seguir crescendo. Porque cada semana se vai jogar coisas importantes. Em 48 horas, em 72 horas, teremos o Palmeiras, um dos melhores times do Brasil. Seguir tentando repetir a mesma postura de hoje, e seguir corrigir essas coisas que precisam ser corrigidas.
PERGUNTA: Hoje era um jogo chave e queria saber, após uma vitória dessa de competitividade, se isso é um ponto de partida para mudar esse ambiente de pressão dentro do Atlético…
SAMPAOLI: Tudo muda a todo o tempo. O futebol foi convertido, deixou de ser um esporte basicamente, é algo raro que acontece. Há uma pressão externa que vai gerando que o jogador tenha menos rendimento, que jogue de uma forma a depender da pressão. Não há liberdade dentro do campo, senão a pressão. Importante é controlar isso, ficar um pouco longe disso, e ter convicção e liberdade na forma de jogar. Eu creio que esse resultado de hoje é muito bom para nós, mas temos que aproveitar esse estado de ânimo para seguir crescendo. Sempre penso na dificuldade que o Atlético teve há dois anos. Então, é tentar que esse ano não tenhamos a mesma dificuldade. Ou seja, teremos muito trabalho adiante.
PERGUNTA: Explique como você pensa o Bernard. Você falou que ele é um dos principais jogadores do elenco. Ele jogou hoje como um ponta direita, mas pode render centralizado, flutuando como camisa 10. Você pensa nele como ponta direita por falta de peças no elenco para jogar por ali, ou é algo ocasional?
SAMPAOLI: Foi parte da estratégia da partida. Porque nós jogamos com ele e Hulk pela direita, em um 4-2-4, e Victor Hugo e Dudu por outro lado, com a aparição dos laterais. Então, pensamos assim. A ruptura com Bernard de perna trocada, a ruptura de de Dudu com perna trocada, e o centro de conexão na segunda trave, que, para nós, era onde o Cruzeiro sofria mais. Assim veio o gol de Bernard. Para mim, Bernard é um jogador que sempre foi construído como um ponta, mas estamos utilizando em posição mais centralizada. Mas, bem, Bernard provoca situações em todos os jogos que joga. Hoje, sofreu um pênalti claríssimo, pisa na área, tem gols, tem ambição. E supre o time com sua qualidade técnica, seu desejo de jogar, com, às vezes, uma certa incapacidade física. Mas eu valorizo muito esse tipo de jogador.
PERGUNTA: Eu queria perguntar sobre o Scarpa mais uma vez, porque ele entrou no segundo tempo, deu um passe importante. É um jogador que você faz uma análise de jogo mais pelos lados, ou ele pode contribuir pelo meio, como opção?
SAMPAOLI: Eu acho que Gustavo é um jogador que está construído para jogar de ponta, perna mudada. Por dentro pode jogar, porque joga bem, mas desconhece um pouco as posições defensivas, por dentro. Então, eu acho que ele precisa, para jogar por dentro, precisa de uma construção diferente. Nós reclamamos sempre que é um jogador que tem muita qualidade, que tem que adicionar mais ações defensivas, porque o futebol pede isso.
Então, quando você vê os dados e vê as ações ofensivas de Gustavo, e defensivas, há muita diferença. Eu acho que estamos trabalhando para cortar, para que seja um jogador que compita em um lugar dentro do time. Nós precisamos de muita ajuda em todos os lugares do campo. Precisamos não somente olhar o gol adversário, porque muitas vezes tem que defender o próprio gol. Então, hoje o futebol não permite jogar com um ou dois jogadores menos que tenham poucas ações defensivas de recuperação de bola. Então, é um tema de trabalho, de convencê-lo que tem muita capacidade física para poder fazer isso.
PERGUNTA: Esse clássico evidentemente, ele demanda o time titular. Você, fora essa ocasião, colocou somente os principais jogadores em um jogo contra o Tombense, aqui mesmo na Arena MRV. Fora isso, equipes alternativas, dentro daquele plano que você passou ao final da temporada. A pergunta é objetiva. Esse time volta a jogar o Campeonato Mineiro, ou vai jogar somente o Brasileiro, onde precisa, em função das últimas duas temporadas, dar uma resposta?
SAMPAOLI: Agora, o planejamento de preparação acabou. E agora vamos buscar a possibilidade de chegar aos jogos da melhor forma. Nós, agora, temos que tentar saber que temos um jogo de pouco tempo. Vamos avaliar quem está melhor e quem está pior. O grau de fadiga que alguns jogadores têm, isso também vai gerar que no próximo jogo do Campeonato Mineiro, os que estão melhores estarão para aquele partida. E assim, porque a sequência é tão forte, com um tempo de preparação tão curto, que jogar com os mesmos jogadores é impossível. Para a minha maneira de sentir e pensar, o desempenho em tão pouco tempo de preparação e a exigência que tem, tem que ter dois times muito bem preparados.
PERGUNTA: Hoje nós vimos o Franco em uma posição diferente, e na minha opinião foi a melhor partida dele. Foi uma situação à parte, ou o Franco pode assumir aquela posição na ausência do Preciado?
SAMPAOLI: Não, em sua Seleção ele jogou nessa posição. Alan Franco joga de lateral, e marca por fora e joga por dentro. Mas, ao sair Preciado, pensamos que, ao ir perdendo o jogo, colocar um jogador como Igor nos daria mais volume de jogo. E, bom, ele fez muito bem contra um extremo muito forte que éo Wanderson, que é muito difícil controlar. Inclusive, o gol incrível que o Hulk fez tem a ver com uma antecipação de Alan Franco. E é um jogador que realmente tem a raça, como se fala aqui, e o coração deste Galo. Um jogador que tem um nível de representatividade pelo escudo muito grande.
PERGUNTA: Hoje você jogou em vários momentos da partida no 4-3-3. Em alguns momentos o Maycon afundava ali entre os zagueiros para ajudar na construção, mas no momento da fase ofensiva, você ganhava um homem a mais no meio campo. E eu acho que o Cruzeiro tem um meio de campo muito forte e a vitória passou por ali. Um meio campo mais competitivo e automaticamente os jogadores da frente também tendo mais jogadas associativas por esse meio de campo preenchido. Passa por ali talvez o encaixe da equipe daqui para frente?
SAMPAOLI: Sim, pode ser. Porque o Maycon muitas vezes se metia de quinto para defender, às vezes se metia de quinto para jogar. Como um jogador tão inteligente, pode fazer isso bem. Eu acho que no começo do jogo, o time faltou um pouco de construção porque não estávamos ganhando a altura que pedia o jogo, nos aproveitamos muito com a bola. Mas eu vejo que o Maycon fez um jogo muito inteligente, eu acho que o taticamente ele esteve perfeito, porque em um momento imaginei colocar mais um zagueiro no final, porque eles colocam um atacante bem de área. Mas como o Maycon estava fazendo bem a função de primeiro volante, entrando e saindo, eu preferi ganhar mais um volante na metade do campo.
E essa sensação de ter controle, de nos defender com a bola, com mais volante, nos deu a possibilidade, inclusive, de aumentar o placar, que foi para mim, no segundo tempo, muito curto. O Atlético gerou sete, oito chances muito claras de gol, e acho que também teve a ver com a capacidade do volante de tomar a segunda bola, de pressionar mais. Acho que também passou muito por isso.
PERGUNTA: Mesmo sob a pressão da desvantagem que a gente foi para o segundo tempo, o Atlético manteve ali o seu estilo de jogo. Eu queria saber de você, o que falta para o time assimilar 100% da sua ideia de jogo? Porque mesmo com a sua desvantagem, o Atlético continua pressionando de linha alta…
SAMPAOLI: Eu estava interessado na forma. Às vezes sai melhor, às vezes não sai. O que está nos faltando e o que estamos sempre falando e que hoje aconteceu em uma porcentagem maior que nos outros jogos, foi a contundência. A contundência defensiva e a contundência ofensiva. Hoje, em uma partida extremamente equilibrada, vem uma jogada e eles convertem um gol de bola enfiada pelas costas da nossa defesa, um lance que nós trabalhamos muito, e que realmente gerou muita preocupação, porque é uma jogada que nós neutralizamos muito e trabalhamos muito no treino. Então, se nós fossemos contundentes nas áreas, hoje mesmo, nós poderíamos ter feito o 3×1, sete vezes. E terminamos pedindo que termine o jogo, porque não temos contundência.
Essa situação ainda é um tema pendente. No Brasil, tem time muito poderoso que, quando têm uma oportunidade, são letais. Então, nós também temos que ter gente que o faça, para garantir o placar favorável quando somos melhores do que o rival.
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