O que você viu nesse jogo? Os atletas conseguiram assimilar o que você pensou? E, no final das contas, mais uma final já podendo disputar uma decisão com a camisa do Galo?
Eduardo Domíngues:
Foi um jogo correto, apenas correto. Tivemos uma chance clara para marcar, mas a equipe ainda pode crescer muito. As sensações são boas porque acredito que o time defendeu bem, administrou a partida com critério, às vezes com o primeiro toque mais lento e em outros momentos com mais verticalidade. Esses jogos são assim. Poderíamos ter aberto o placar no primeiro tempo. No segundo, eles foram mais intensos. Estamos novamente em uma final, e isso é importante, mas sabemos que precisamos evoluir.
Pergunta
Na sua apresentação você disse que o Hulk precisava ter alguém mais próximo dele. Hoje você optou pelo Reinier. Ele pode ser esse jogador? E no segundo tempo você colocou o Dudu e mudou um pouco a característica do ataque?
Eduardo Domíngues:
Vai depender muito de como os jogadores se apresentarem durante a semana. É jogo a jogo. Pode depender do Reinier, pode depender de outros atletas, de vários fatores. Precisamos analisar qual característica é necessária para cada partida. Hoje o rival nos oferecia pouco espaço, então precisávamos mais de jogadas individuais, de um contra um. Quando o adversário está fechado, é difícil gerar situações tanto por fora quanto por dentro. Precisamos ter paciência para encontrar os espaços e crescer em confiança.
Pergunta
O Cissé entrou novamente com intensidade, jogando para frente. Falta algo para ele ainda não começar como titular?
Eduardo Domíngues:
Ele é um jogador que precisa crescer no critério. Corre muito, tem intensidade, mas em partidas decisivas é preciso também ter ordem no início do jogo. Quando o jogo já está mais aberto e desorganizado, ele gera muito. Mas quando as duas equipes estão organizadas, é necessário equilíbrio. Ele ainda pode evoluir nesse aspecto. É importante que siga crescendo, porque tem potencial.
Pergunta
Você terá a primeira semana cheia antes da final do Campeonato Mineiro. Qual o principal ponto a trabalhar para deixar o Atlético mais competitivo?
Eduardo Domíngues:
Temos que crescer na dinâmica e nas intensidades defensivas. Precisamos melhorar nas disputas, aumentar a agressividade e a exigência competitiva. Vamos trabalhar bastante nisso. Independentemente do rival, precisamos ser melhores, ter melhor rendimento nos duelos e maior nível de competitividade. Vejo espaço para evolução nessa parte do jogo.
Pergunta
O que você não gostou na equipe hoje e entende que precisa ser modificado?
Eduardo Domíngues:
No primeiro tempo nos faltou ser mais fortes, mais rápidos e mais agressivos. Precisamos ser mais compactos, estar mais curtos para pressionar melhor e evitar as transições do adversário. Também precisamos gerar mais recuperações para não perder valor com a bola. São várias situações que vamos trabalhar para corrigir.
Pergunta
O time hoje não sofreu gols, algo raro na temporada. Como você classifica esse desequilíbrio entre defesa e ataque? É emocional, físico ou tático?
Eduardo Domíngues:
Criamos muitas situações dentro da área, mas precisamos rever o jogo para entender por que não finalizamos melhor. Às vezes faltou o chute e optamos pelo passe. A troca de treinador gera expectativa: para alguns aumenta a confiança, para outros pode gerar dúvidas se os resultados não vinham acontecendo. Precisamos ter paciência para elevar a confiança e manter todos em um nível emocional alto e alinhado. A partir do trabalho, acredito que temos uma boa sensação de crescimento.
Pergunta
Sobre a solidez defensiva e o espaço na entrada da área, algo que já foi problema em outros momentos, você identificou isso como ponto de evolução?
Eduardo Domíngues:
Sim, é uma situação que já vimos acontecer e sabemos que precisamos trabalhar e melhorar. Temos tempo e precisamos ter paciência para que a equipe evolua nesse aspecto.
Pergunta
Você optou por Victor Hugo como titular. Por que essa escolha?
Eduardo Domíngues:
Porque o Victor Hugo não estava 100%. Precisamos que todos estejam preparados para entrar. O Júnior é um jogador com muita experiência. O que aconteceu anteriormente não me corresponde. Olhamos para frente. É um novo caminho, com os mesmos objetivos, e temos muito ainda por escrever.
Pergunta
Depois dessa classificação, você entende que o Galo precisa de reforços, especialmente no sistema defensivo?
Eduardo Domíngues:
Primeiro vamos revisar os jogos e ser críticos como devemos ser para melhorar. Precisamos analisar com cuidado para encontrar pontos positivos e corrigir o que for necessário. A autocrítica é importante para evoluirmos.
Pergunta
Sobre o Preciado, como você vê a questão defensiva dele e a possibilidade de usar Alan Franco para potencializá-lo?
Eduardo Domíngues:
Precisamos ser críticos, analisar bem a partida e entender as características dos nossos jogadores. O Preciado foi crescendo durante o jogo, mas sabíamos que não tinha condição de atuar em alta intensidade o tempo todo. É um jogador muito ofensivo, com potência, e precisamos ajudá-lo a evoluir junto com a equipe. Não podemos exigir tudo de imediato. Com confiança e entendimento da proposta de jogo, ele pode alcançar um nível melhor.
Pergunta
Você gosta de pontas mais próximos do centroavante. Com as características do elenco, isso pode acontecer aqui?
Eduardo Domíngues:
Todos que entram em campo precisam se sentir confortáveis. Se se sentem melhor por fora, jogam por fora. Se por dentro, por dentro. O mais importante é identificar qual é o melhor esquema para os jogadores que temos.
Pergunta
O Atlético é bicampeão mineiro e o rival vive grande cobrança. A motivação pode ser diferente na final?
Eduardo Domíngues:
Qual é a nossa motivação? O que nos move? Não podemos nos enganar. São situações opostas, mas confiamos em nossos torcedores, que foram fantásticos, empurrando o time o tempo todo. Vivemos um momento muito bonito e queremos continuar escrevendo páginas melhores na nossa história. A motivação depende de onde escolhemos nos apoiar para seguir crescendo.