Técnico analisa goleada e projeta a nova temporada de 2026
Pergunta: O Atlético fecha a temporada com a vaga na Copa Sudamericana, com maior goleada no ano. O que o torcedor poderá esperar para 2026, já que em 2025, mesmo vencendo hoje, houve protesto da torcida, pelo ano difícil…
SAMPAOLI: Sim, sim, foi um ano difícil. A gente sabia disso. Tentamos que o time tivesse regularidade, bem, o objetivo era, em algum momento, salvar do rebaixamento, em algum momento, se classificar na Sudamericana. Chegamos na final de um torneio internacional, lamentavelmente, perdemos nos pênalti, num jogo no qual merecíamos mais. Creio que no balanço geral, para mim, fechar o ano assim é muito bom para preparar melhor para o ano que vem. Porque eu creio que não há tempo para treinar uma forma. Espero que no ano que vem, o time esteve o mais alto possível.
Pergunta: Como foi, da sua chegada, a conversa com a diretoria projetando a temporada de 2026? O Atlético não terá uma pré-temporada tão larga…
SAMPAOLI: Ter a possibilidade de ter dois times, um que se prepara para o Brasileiro e outro que jogue no Mineiro, nesse primeiro momento. E ter um terceiro time, de jogadores de projeção, jovens que podem dar ao clube a possibilidade de um futuro. Temos, como preparação de organização, esses três times. Cada time terá uma preparação diferente em relação ao ano que vem.
Pergunta: Sobre a temporada de 2026, em relação às contratações: como você enxerga esse time do Atlético em temos de peças necessárias?
SAMPAOLI: A avaliação que eu tenho do ano me dará a possibilidade de saber a importância dos jogadores que cheguem ao ano de 2026. O importante é que cheguem jogadores que nos deem a possibilidade de salto qualitativo que o time merece, em qualquer posição, mas terá que ser jogadores nos quais a gente possa confiar, que irá trocar o rendimento do time em relação ao que foi esse ano. Tem que ser jogadores que marquem a diferença com essa camiseta.
Pergunta: Qual avaliação do trabalho desde a sua chegada até esse momento? Foi dentro do que você esperava?
SAMPAOLI: Eu cheguei em um momento difícil, era um grupo deprimido, abatido. Mas creio que oxigenou o time, houve oxigenação. Teve momentos de bom jogos, inclusive contra o Palmeiras no jogo anterior, depois de 15 minutos iniciais onde demos dois gols. Depois, o time teve o mesmo volume de ataque de hoje. Tem que ser um time mais regular, mais sólido nas duas áreas, tanto na área própria quanto na área rival. É isso que iremos buscar em 2026.
Pergunta: Dentro dessa avaliação do elenco, é necessário uma mudança profunda de atletas? Ou mudança pontual no elenco? Você conta com o Hulk para 2026?
SAMPAOLI: As avaliações são qualitativas. Todos os jogadores que tem contrato, serão avaliados para saber se… Mas já lhe digo, a minha esperança, o que eu falei com a diretoria é que os jogadores que irão chegar marquem essa diferença que o time precisou nesse ano, em todas as posições. Sobre o Hulk, é um ídolo do clube, seguramente, é um assunto que a instituição irá administrar. Porque é um jogador referente para o Atlético. Não depende de mim sobre o que acontecerá… Mais além de ser um jogador longevo no clube, tem um rendimento atual presente.
Pergunta: Quero saber quais são as peças principais que você tem hoje no elenco que você conta para 2026….
SAMPAOLI: Ainda não terminamos a avaliação. Não posso dar nomes agora, seria precipitado da minha parte. Temos que saber quais jogadores estão emprestados, quais jogadores voltam de empréstimos, que irão voltar. Vamos avaliar muito bem cada posição, para ver qual é a base que o time tem para o ano que vem. Dar nomes, agora, é algo que seria de forma apressada. Poderá haver saídas e entradas em distintas posições. Mas isso é difícil falar hoje.
Pergunta: Torcedor tem contestado bastante nas redes sociais. Houve protesto pacífico no entorno da Arena MRV, cobrando a SAF, a diretoria, parte dos jogadores. O seu nome não foi citado, o torcedor acredita muito no seu potencial como treinador e como gestor na contratação dos atletas. O que você poderia falar para eles, neste momento?
SAMPAOLI: Eu agradeço a isso. Eu, sinceramente, vim aqui quase pelo pedido do torcedor. Eu nunca fui a primeira opção para substituir Cuca aqui. Não fui. Foi uma pressão popular que gerou que o Clube pensasse em mim. Mas o mais importante do que o Clube, a SAF, ou os jogadores que há aqui, é que haja uma grande pressão popular para que o Atlético esteja entre os quatro primeiros colocados. Seguramente, o Clube irá revisar e tratará de melhorar o tema de contratações, de chegadas de jogadores, que possam dar ao clube essa possibilidade. O futebol é dos jogadores, não é tanto dos treinadores. São mais de 70 jogos no ano, é preciso ter condições de rodar o elenco, jogadores que tenham peso para jogar esses 70 jogos em alto nível. Creio que o clube irá aprender que, se não for assertivo com as contratações, tudo fica mais complicado para qualquer desenvolvimento.
Pergunta: Torcedor bate na tecla na utilização da base. Você pensa, no ano que vem, dar mais minutos aos garotos?
SAMPAOLI: Dentro do projeto que a gente apresentou à diretoria… Eu falei de três times: um que irá iniciar a disputa do Campeonato Mineiro, juntamente com time de “sparing” composto dos jovens mais talentosos, que precisa ter contato com a equipe profissional. E a equipe do grupo 1 estará se preparando para o início do Brasileirão. Depois, claro, todos serão unificados e teremos, através de uma preparação, quem pode saltar do grupo 3 ao grupo 1, do grupo 2 ao grupo 1. Haverá uma concorrência natural internamente dessas três equipes, que, somando aos jogadores de base, iremos retirar os jogadores que farão parte da equipe principal.
Pergunta: Vocês começam a trabalhar logo no dia 2 de janeiro. O que você vai trabalhar na questão anímica e na parte física do time?
SAMPAOLI: O emocional é muito importante. Ou seja, quando você traz um jogador para o clube, é preciso saber que a demanda de ganhar é imediata. É a exigência para os jogadores é muito intensa. Se hoje o time não tem jogadores, ou não traz jogadores com essa personalidade para jogar aqui, é muito difícil que ele demonstre seu potencial. Anteriormente, isso não é tão visto. Mas, agora, é uma situação principal: jogadores que possam suportar a pressão de jogar nesse clube. Sem dúvida, é um fator que, quando chegamos, detectamos, solucionamos parcialmente. Já falei, o nosso trabalho, o trabalho do treinador no futebol, num torneio como é o Brasileiro, exigente e imediato… Há muitos jogadores que não suportam. Temos que trazer jogadores que possam resolver essas situações, mais além das dificuldades dos jogos.
Pergunta: Sobre a média de idade do elenco atual, isso impacta na intensidade que caracteriza o seu trabalho? É uma preocupação sua rejuvenescer o elenco?
SAMPAOLI: Sim, é uma preocupação. As equipes top do mundo, na intensidade que se joga, é preciso ter uma média de 26-27 anis. Essa é a idade que, normalmente, globalmente as melhores equipes do mundo têm como média. Precisamos abaixar a nossa. Caso contrário, quando o time não está preciso e não é intenso, normalmente acontece é que não há competição. A necessidade de rejuvenescer o plantel tem relação com a capacidade competitiva.
Pergunta: Muito se falou de entradas e saídas de atletas. O Atlético fará a apresentação do novo CEO. O que você pode falar sobre o departamento de futebol do Atlético?
SAMPAOLI: Sinceramente, eu não avalio o executivo do Clube, ou os donos do clube. Meu foco é no esportivo, e será sempre assim. Todas as decisões do executivo são do Clube. A verdade é que não posso falar desse tema.
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