Técnico analisa derrota do Galo na final do Mineiro 2026
Eduardo Domínguez: Não era o jogo que havíamos pensado. Mas, quando… É fácil, agora, vai ser fácil a crítica. E golpear quando alguém está caído. O que falei no vestiário, é olhar para frente. Se não quer olhar na cara… Não buscar desculpas no outro companheiro. Eu não vou buscar desculpas. Seguramente, eu errei. Me equivoquei na estratégia, na escalação, nas substituições.
Mas tem uma coisa clara: temos que nos preparar melhor. Hoje, não jogamos como se fosse uma final. Eles sim, se notou! Se notou. Então, temos que esquecer as palavras, e fazer, fazer… Precisamos de feitos. Falei isso no vestiário e não tenho problema em falar. Temos que nos preparar melhor, se não, vai ser difícil. Todos irão ter seu lugar na equipe, desde que se dedique, ou outro irá jogar. Teremos que fazer mudanças na quarta-feira. Não foi a maneira que queremos, não foi o que buscamos. Temos que dar a cara, colocar cara, colocar o peito. Porque o caminho recém começou comigo. Quem não corre, não irá jogar. Hoje, ficou claro que eles correram mais. Não preciso ver os dados do GPS, foi notável. Então, é isso…
Pergunta: Por que o Atlético tem tanta dificuldade para atacar?
Eduardo Domínguez: Se o rival corre mais, sempre chega antes. Se não corremos, é difícil encontrar os espaços. Hoje não se joga mais apenas com a técnica, com os nomes. É preciso se esforçar. Está sendo custoso isso, e não é só nessa semana. Então, temos que trabalhar, trabalhar duro, fazer, mostrar, e dar a cara. Um dia isso vai ser superado, mas não assim.
Pergunta: Como mudar o mental dos jogadores? Nas últimas cinco finais disputadas pelo Atlético, cerca de seis, cinco jogadores estavam nessas finais. Ganharam o Mineiro do ano passado, apenas. Como mudar essa mentalidade?
Eduardo Domínguez: Trabalhando, sem criar desculpas, não mirando para o lado. Mirando nos olhos, saber o que falta, e jogar melhor. Se não jogar melhor, não vai jogar.
Pergunta: Você fez mudanças na equipe. Explique a troca do Bernard pelo Scarpa e as outras mudanças na zaga, com o Vitor Hugo, o Natanael…
Eduardo Domínguez:Entendo que Bernard é mais profundo que Scarpa, e íamos dividir o controle do jogo, mas nunca tivemos esse controle. Claro, isso seria difícil para o Bernard ou para o Gustavo. Há situações que, novamente, vou insistir com o mesmo: hoje não se joga com a técnica, há que ter disciplina, vontade, esforço. Uma equipe com esforço, com ganas, com fome…. Aconteceu isso. Além da técnica individual, é preciso colocar outras coisas. É trabalhar, outra vez.
Pergunta: Faltou criatividade e poder ofensivo para o Atlético. Você chegou há pouco tempo e não tem tanta responsabilidade.
Eduardo Domínguez: Tenho a mesma responsabilidade que eles. Por mais que estamos nessa fase de conhecimento, mas não me tire daí, estou no mesmo lugar que todos, estamos aqui para dar o melhor, fazer o time crescer, achar uma ideia.
Pergunta: Mas, pelas peças que o Atlético tem, é possível reverter esse quadro de baixa produtividade ofensiva?
Eduardo Domínguez: Temos que fazer isso! Caso contrário… Como vamos fazer? Novamente, não vamos desviar o foco, vamos arcar com as responsabilidades do que fazemos e do que iremos fazer. Mas o livro de desculpas é grande. É ter autoconhecimento, ter responsabilidade. Temos que estar unidos. Um dia vai acontecer. O que precisa nos incomodar não é o fato de perder, mas a maneira que perdemos.
Pergunta: Estatisticamente, o Atlético não chutou ao gol do Cruzeiro. Você disse sobre a necessidade de melhora. O Galo tinha seis títulos consecutivos do Mineiro e sabia que o rival faria de tudo para vencer. Por que, ainda assim, o Atlético não foi suficiente?
Eduardo Domínguez: Porque, seguramente, a preparação haveria sido diferente, mentalmente falando. Quando você consegue bons resultados, muitas vezes acha que o que faz normalmente será suficiente. Mas é mentira. Porque o adversário vai fazer mais, porque ele não alcançou bons resultados, eles não tem (títulos seguidos recentes). Então, você tem que fazer mais e melhor, porque o rival está fazendo. Não sei qual foi a preparação deles, mas eu sei qual foi a nossa, e temos que melhorá-la.
Pergunta: Notamos que, nos primeiros minutos, o Cruzeiro ganhava os duelos no meio de campo. Houve ajustes e equilíbrio naquele pedaço do campo. Sobre o estado de resiliência dos atletas, você havia dito que precisava conversar individualmente. Passa por isso também a quantidade de erros de passes dos jogadores?
Eduardo Domínguez: Sim. Pode acontecer. Mas, em alguns momentos, contra certos dados é difícil falar sobre, temos é que agir. Foram 30 faltas que o rival cometeu, isso mostra agressividade. Trinta! Fizemos 10 faltas. Vou falar com todos, é meu trabalho, tenho que fazer. Mas muitas vezes, temos que deixar de falar e fazer. Temos que demonstrar aos torcedores. Não queremos que a torcida veja uma derrota como essa. Podemos perder de outra forma.
Pergunta: Você já respondeu sobre o tema, mas queria voltar a tocar no tema sobre o mercado. Muitos torcedores apontam necessidade de reforço. Você acredita que precisa de reforços para esse primeiro semestre?
Eduardo Domínguez: Estamos falando com o Paulo (Bracks), há situações que parecem ser claras, e seguimos falando com o Paulo (Bracks).
Pergunta: É uma base de elenco que brigou para não cair nos dois últimos Brasileiros. São quatro treinadores que não deu certo. Hoje, uma final que o torcedor estava engajado. E esse espírito não foi transportado para os atletas. Como mudar esse cenário?
Eduardo Domínguez: Antes da partida, me perguntaram sobre as mudanças. E vamos seguir mudando até achar a equipe. Porque temos que ser uma equipe com mais combate, se esforçar mais, mostrar outra cara. Se a gente não encontrar isso, seguiremos modificando…
Pergunta: Qual o motivo de optar pelo Igor Gomes, que é mais um meia, ao invés de Tomás Perez, que é um volante?
Eduardo Domínguez: Sim… Outro dia, falei com o Tomás, que tem que ter paciência. É um jovem que tem 12 partidas de primeira divisão. Doze. Igor jogou finais, sabemos o que eles podem dar e o que não podem dar. É uma partida para ter mais experiência. Deste lado, estava jogando Gérson. Isso me deu a sensação (de colocar o Igor Gomes). Me equivoquei. Buscamos ter dinâmica com o Cissé, mas ele rasgou o pé, teve que sair. E buscamos mais experiência com o Igor. Foi o que pensamos, sabendo das dificuldades que o Igor poderia passar e o que ele poderia nos fornecer. Não funcionou. E a responsabilidade, seguramente, é minha.
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