Técnico analisa empate do Galo no Brasileirão
Pergunta: O Atlético tem apenas 30% de aproveitamento nos últimos 20 jogos. Conseguiu poucas vitórias no período. O que está faltando para o time encaixar e começar a dar alegria para a torcida?
SAMPAOLI: É um processo que está começando. O primeiro tempo da partida de hoje era para ser um placar com quatro gols de diferença para nós. O que eu falei na última coletiva de imprensa, são muitas situações de gol perdidas. Isso nos gera que um grupo novo de jogadores não tenha estabilidade. O time se desestabilizou, sofreu transições, o que poderia ter culminado em uma derrota. No primeiro tempo, o Atlético fez um jogo que poderia ter vencido a partida com comodismo, muito facilmente, porque teve sete chances na cara do gol, e não conseguiu completar. São processos. A consolidação do processo tem a ver com trabalho, seguir melhorando, e seguramente os resultados irão aparecer.
O que mais me preocupa é o descontrole que tem a equipe quando se coloca ansioso, ou quando começa o jogo e há muitas situações geradas de alto nível de ataque, sem a contundência que merece cada jogada. Depois, entramos num descontrole defensivo que nos fizeram frágeis. Isso que temos que melhorar.
Pergunta: Você fala bastante de contundência ofensiva, mas o Atlético sofreu gols em 9 dos 10 jogos da temporada. E vem sofrendo defensivamente contra todos os adversários. Hoje, foram três gols sofridos. Fale sobre a organização defensiva e porque isso não está evoluindo?
SAMPAOLI: Quando chegamos aqui, o time tinha o mesmo problema. Tivemos que corrigir, formando um sistema diferente. Eu creio que, analisando situações, creio que o time perdeu um pouco de eficiência defensiva. Inclusive, quando o rival tem a posse de bola, nos custa muito recuperar a bola no campo adversário, muito pelas características dos jogadores. E em campo próprio, cometemos erros demasiadamente infantis para o nível que jogamos. Então, é detectar as formas com os jogadores que temos para sermos equipes mais firmes, como terminamos a temporada anterior que, através da solidez defensiva, encontramos ser uma equipe competitiva. Hoje, com a fragilidade defensiva que demonstramos, em transição… Quando falo da defesa, não falo da última linha, mas de todos. É uma equipe que custa a recuperar bolas, tentamos modificar situações, inclusive, as trocas tem a ver com defender com a bola, colocando gente que tenha controle de bola, ganhando de 2 a 1. E seguiu igual. Ganhando de 2 a 1, sofremos contra-ataques de maneira ingênua. Temos que revistar bem, sobre decisões individuais que acabam prejudicando o time.
Pergunta: Queria saber, no segundo tempo, qual foi a solução imaginada nas substituições realizadas?
SAMPAOLI: Eu não vi um grande suporte de Preciado no ataque, então preferi um lateral para controlar os contra-ataques, com o Alan Franco, e colocar meia-atacante para ter mais controle de jogo, mais volume. Eu creio que passou tudo por nossa culpa. Não acho responsabilidade, mais além da capacidade da nossa ansiedade e da falta de… Quando um jogador não tem a contundência que o time não alcançou, tem que ter uma estrutura que ele respeite. Hoje, praticamente, nós demos o jogo de bandeja, isso não pode acontecer. Não é a imagem boa para um time que trabalha todos os dias. Podemos falar da tática… Eu digo que uma partida jogada como foi a primeira etapa, era 4 a 0. E estamos terminando falando de um nervosismo que não condiz com o que passou nessa metade de tempo. Pode acontecer o que aconteceu no futebol, de não fazer os gols, mas há outros momentos do jogo onde devemos corrigir a estrutura da equipe, porque sofreu no Mineiro, um torneio de outra categoria, e vai sofrer mais no Brasileiro.
Pergunta: Você poderia ter feito a quinta substituição e precisava fazer gols. Por que não colocar o Cassierra?
SAMPAOLI: Eu vejo o Cassierra todos os dias no treinamento, e todavia ele não está preparado para jogar. Vamos o ajudando aos poucos, fazendo que ele conheça os companheiros, se coloque em forma, e quando estiver em forma, vai competir com o resto. Hoje, não está em forma para jogar. E eu priorizo os jogadores que estão mais preparados.
Pergunta: Ontem, o CSO Paulo Bracks deu entrevista falando que ele considera que o Atlético tem três primeiros volantes no elenco (Alexsander, Alan Franco e Maycon). Você concorda ou você segue atrás dessa carência?
SAMPAOLI: Eu realmente trabalho com os jogadores que eu tenho. Nenhum jogador que você citou tem característica de primeiro volante, sozinho. Necessita de outro volante ao lado. São jogadores de um perfil para jogar com dois volantes, e não somente de primeiro volante. Por perfil, por característica, por posição. O Maycon, jogando sozinho, para jogar, está muito bem. Mas há outras etapas de jogo que lhe custam um pouco mais. Eu acho que são todos jogadores com um perfil para jogar ao lado de outro volante, com um parceiro nessa metade do campo. Ou, inclusive, para jogar com três volantes, porque realmente, quando falo de alguma impossibilidade de controle da partida, defensivamente, não digo que passa exclusivamente pelos defensores, que também tem um desequilíbrio, devido à inconsistência que tem a pressão da parte superior. É um todo que temos que corrigir. E vamos corrigir.
Porque, sem dúvida, por mais que merecíamos fazer 4 gols no primeiro tempo, sofremos gols por essa incapacidade defensiva que o time apresenta no seu geral, na sua composição. A fragilidade defensiva que se vê na equipe, por desempenho individual, se vê cada vez mais refletida por ser uma equipe que não pressiona bem, que não recupera muito a bola no meio de campo. Então, evidentemente, qualquer equipe pode nos fazer dano, como foi hoje contra essa equipe. Temos que reestruturar, de alguma forma, esse sistema defensivo. Falavam de uma linha de quatro para ter mais volume de ataque, e agora temos que revisar se temos que nos defender com mais jogadores. Há que reformular. Sem dúvida, não está dando resultado.
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