Técnico analista vitória do Galo pelo Brasileirão
Pergunta: Hoje, o Atlético conseguiu conciliar desempenho e resultado? O que você mais destaca do seu time nessa vitória contra o líder do Brasileiro?
Eduardo Domínguez: Hoje, me parece que temos que destacar a quem se ganhou, a rivalidade entre as equipes. Hoje, enfrentávamos o líder do torneio. Creio que hoje a equipe foi séria, séria. Quando teve que defender, defendeu. Quando foi pressionar alto, fez de boa maneira. Há coisas para corrigir.
Tivemos que jogar, por momentos, com boa passagem de posição. Aí me parece que temos que ser mais pacientes. De tanta urgência do resultado, conseguir os três pontos, mostrar a cara da equipe, acabamos nos precipitando e perdendo a posse de bola. Podemos jogar melhor quando temos a bola.
O resultado é um pouco que o Paulo Bracks (CSO do Futebol) comentou outro dia, de gerar confiança na equipe e na torcida, que nos ofereceu uma festa espetacular. E acho que a torcida estava à altura desse grande apoio recebido.
Pergunta: Um problema que acompanha o Atlético há alguns anos é entrar concentrado em grandes jogos, mas pouco concentrado em jogos no qual o adversário tem uma qualidade inferior. Hoje, enfrentou o São Paulo líder. Contra o Palmeiras, um bom jogo. Mas em jogos contra times da parte de baixo da tabela, o Galo tende a ter menos concentração. Como manter essa concentração de hoje nesses jogos? E no final, você pode dar um bicudo na garrafinha para dar sorte nos próximos jogos (risos)?
Eduardo Domínguez: Me parece que a diferença entre as equipes boas e as grandes equipes é isso. Uma boa equipe joga como se jogou hoje. Se queremos nos tornar uma grande equipe, temos que repetir essa atuação durante todo o ano, na seriedade, na concentração, na agressividade, e que algum momento sofreremos, pois corremos muito. Então, estávamos comprometidos como uma equipe. Absolutamente todos. Se vocês vissem o banco de reservas, todos comprometidos, com ganas de entrar no jogo, e que eu o chamasse, para que eles pudessem ajudar. Hoje, alguns entraram, outros não. No sábado, outros serão escolhidos. Temos que trabalhar como equipe. Se queremos passar de ser uma boa equipe, com boas individualidades, é o maior desafio adiante. No sábado, iremos enfrentar outra boa equipe, e a motivação existe. A partir disso, é criar o que queremos buscar para começar a ser uma grande equipe.
Pergunta: O Atlético fez um gol de uma segunda bola recuperada. Talvez 90% das segundas bolas o Atlético não conseguiu ganhar o duelo. Isso é uma consequência de ter trocado menos passes? Com menos bola nos pés?
Eduardo Domínguez: Creio que é, também, um pouco do entendimento do jogo, o entendimento das jogadas em si. Temos os melhores homens na área, e do que serviria seguir tocando a bola? Muito bem para o Bernard, pois qualquer outro poderia ter feito o cruzamento logo de cara. Ele não, esperou, se tomou tempo para que os outros jogadores se reacomodassem na área adversária, e fizemos que o rival sofresse o gol, no segundo poste. Alan Franco foi muito bem ao centrar a bola, e o Ivan Román também no complemento. Tem vezes que não saem as jogadas que você planeja ou trabalha. Mas sim o que, hoje entendo, que o grupo se fez forte entender, as deficiências e fortalezas do rival. Hoje, a fortaleza do rival, que é jogar por dentro, não conseguiram fazer isso contra nossa equipe. Tiveram que cruzar mais vezes do que tenham feito em todo o campeonato. Me parece que fomos certeiros hoje.
Pergunta: Você está no seu quinto jogo pelo Atlético. Acredita que está perto de encontrar os 11 titulares ideais?
Eduardo Domínguez: São cinco partidas, não? Mas o trabalho real é de duas semanas. Então, leva tempo. Não me causa desespero encontrar esse 11 ideal. E, sim, o tempo me apressa, por mais que eu seja paciente e sei que o tempo não podemos atravessá-lo e temos que esperar. Temos que encontrar o grupo, que não são 11, são muito mais. Hoje foi uma amostra. Estou contente com hoje, claro, mas não podemos nos confundir e achar que o desempenho de hoje é o suficiente para alcançar. Foi uma simples mostra do que podemos fazer. O que me ocupa é encontrar a equipe ideal. Hoje, fomos uma equipe com desejo de ganhar, e presentear o apoio da torcida, que foi magnífico. Estávamos em momento crítico, em que as coisas não saíam. E eles nos deram um apoio incrível, que a gente sentiu dentro do campo de jogo, e foi maravilhoso.
Pergunta: Você citou o exemplo do número de faltas do adversário e o número de faltas do Atlético para exemplificar a competitividade. Hoje, salvo engano, o Atlético fez o mesmo número de faltas que o São Paulo. Sem querer tirar a sua felicidade da vitória de hoje, mas já pensando no jogo contra o Fluminense, fora de casa, quando o Atlético tem dificuldade de manter o nível de entrega. O que fazer para deixar os jogadores conscientes de que é essa postura que você espera?
Eduardo Domínguez: É ter o que eu venho dizendo nessas respostas. Não crer que o jogo de hoje é suficiente. Vamos jogar de visitante, e realmente o desempenho recente chama a atenção. Temos que trabalhar muito duro, muito duro, para reverter essa situação. Isso não tem que ser o oásis. Tem que ser o início de algo que queremos buscar. E sobretudo como queremos buscar. Sei que faz falta mais jogos, sei que faz falta elevar a confiança nas individualidades, mas o grupo é que irá trazer essa confiança. Se aumentarmos o foco e a confiança no grupo, iremos melhorar como visitante. É ter valentia e hombridade para jogar em outros estádios, sobretudo a agressividade de hoje.
Pergunta: Foi uma semana de muita pressão. Tivemos a coletiva do Paulo Bracks, seu chute na garrafinha. O Bracks mencionou uma conversa a portas fechadas após o jogo contra o Vitória. Queria saber como foi a motivação para esses jogadores? E a mudança do estado mental visível hoje, o Preciado jogou muito, o time foi mais aguerrido. Qual o peso dessa reunião e o que foi dito aos jogadores?
Eduardo Domínguez: Sim… Foi um pouco do que eu falei na coletiva passada. Primeiro, ter tranquilidade. Não temos que nos precipitar. Depois, é falar. Falar o que cada um sente, o que eles estão vendo, o que estamos vendo. E chegar no ponto central e concordar, ajustar o que temos que ajustar. E não porque se falou porque não ganhou. Fizemos grande partida. Temos sete jogadores convocados para seleções? Sete jogadores. O que te parece ter sete convocados e estar como estamos? E mais outros jogadores com muita hierarquia individual de muito respeito no futebol brasileiros. O que queremos? Como queremos fazer? O que nos motiva? Creio que, pouco a pouco, esperamos encontrar o motor interno para não depender da motivação externa, porque vamos jogar contra o líder, porque vamos jogar contra o Fluminense? A motivação tem que ser interna e natural, própria. É algo que vamos achar. Muitos jogadores chegara, muitos jogadores grandes e inteligentes, jovens que estão começando. É tempo de reconstruir novamente o grupo. Respondi à repórter, não quero encontrar os 11, quero encontrar a equipe como um grupo. É essa a nossa motivação o nosso motor.
Pergunta: Hoje o Atlético venceu com um gol de um jovem, Ivan Román, que busca seu espaço. Queria falar de outro jovem, do Cissé, que passou por uma semana com renovação e convocação. Como você enxerga o Cissé?
Eduardo Domínguez: Lamentavelmente, Cissé está lesionado por um corte no pé que teve na partida (contra o Cruzeiro). Ficamos muito contentes, porque é um grande potencial, e que hoje está sendo manifestado esse potencial, é um jogador jovem, chamado pela seleção do seu país, muita dinâmica, que se adapta a um novo país, nova cultura, que depende de nós e dos grandes jogadores da equipe para que sua evolução e seu crescimento sejam efetivos. Tem que crescer bem, não tem que se confundir. Temos que cuidar dele, é um garoto sério, tranquilo. Mas precisamos estar próximos dele. Porque, às vezes, a cabeça pode se confundir. Temos que parabenizá-lo que, com tão pouco, já demonstrou muito. E que siga crescendo.
Pergunta: Seu segundo jogo na Arena MRV, mais uma vitória de 1 a 0. Só que um jogo diferente do jogo contra o Internacional. Hoje, o Atlético sofreu pouco. Queria perguntar a que você atribuiu essa evolução defensiva? E a atuação do Tomás Perez, que você disse que tinha poucos jogos de nível mais alto. Hoje ele foi bem, o que você pode dizer do início dele no Galo?
Eduardo Domínguez: Sobre o Tomás, em princípio, estamos muito contentes. Sabemos do potencial que ele pode chegar. Vai depender dele. Está lhe custando algumas situações, mas é algo normal. Assim como custa para outros jovens como Cissé e Roman. Claro que teremos desequilíbrios. Mas estamos ajustando essas situações e entendendo o momento dos jovens. Tomás é um jogador que tem que crescer. Vamos exigir dele, necessitamos mais dele, mas também temos que ter tranquilidade, porque é um jovem.
Sobre a diferença defensiva das partidas, acho que tomamos consciência da equipe que queremos ser. Mudança de ritmo, mais agressividade, e estar mais perto das jogadas. Assim, nos colocamos melhor. Mas me parece que há uma transformação que queremos ver.
Siga o Galo nas redes sociais: @atletico