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SAF DO ATLÉTICO

🐔🎙GaloCast #16 com Pedro Daniel!

Confira como foi o bate-papo com o CEO do Clube

2/2/2026 10:00
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O GaloCast voltou para o primeiro episódio da temporada 2026! Na segunda-feira, 2 de fevereiro, o CEO da SAF do Atlético, Pedro Daniel, foi o convidado do bate-papo especial na Galotv H2bet. O episódio aconteceu ao vivo, direto da Arena MRV.

Durante mais de uma hora ao lado dos apresentadores Fábio Pinel e Carol Teixeira, o diretor-executivo do Galo falou sobre o trabalho desenvolvido na parte administrativa, detalhou o processo de criação do projeto pioneiro “Conselho da Massa”, e abordou os detalhes da gestão e das finanças do Atlético, projetando um caminho de sucesso para o Clube ao lado da torcida.

“Eu queria falar para a Massa que eu estou muito confiante de que a gente vai chegar em um protagonismo muito grande. Estamos fazendo um grande trabalho, há muita gente trabalhando aqui no dia a dia, seja no CT ou na Arena MRV, com foco muito grande que seremos vitoriosos”.

“O Galo estará na prateleira que a gente sempre quis. A Massa pode confiar. Eu quero a torcida aqui dentro, e o Conselho da Massa é a concretização dessa ideia. O pouco que eu vi da Massa dentro da Arena MRV, o Atlético fica imbatível com a Massa por perto”, afirmou.

Pedro Daniel tem quase 20 anos de atuação na indústria do futebol, atuando a maior parte do tempo na parte de consultoria. Fez parte, diretamente, de projetos de reestruturação financeira e planejamento estratégico de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.

Traz na bagagem, ainda, o trabalho de liderança na implementação do Fair Play Financeiro, pela CBF, no futebol nacional, da criação da Lei do Profut (refinanciamento de dívidas fiscais) em 2015, e da criação da Lei das SAF’s.

O novo CEO do Atlético assumiu o cargo no fim do ano passado com a missão de seguir o plano estratégico denominado “Galo 2030“, no qual o Clube busca a sustentabilidade financeira e a manutenção da competitividade em busca do protagonismo esportivo em todas as competições.


Confira os principais pontos abordados por Pedro Daniel

Chegada ao Atlético e adaptação à nova rotina

“Está sendo fantástico, fora a chuva. Janeiro está chovendo todo dia e minha esposa acha que só chove em Belo Horizonte. Mas faz parte de janeiro. É uma cidade muito acolhedora. Eu vim de São Paulo e morei quase a minha vida inteira lá. Lá, as pessoas são mais impessoais. Aqui é outro estilo, de um ir na casa do outro. É muito legal”.

“Eu sempre vim muito a trabalho, principalmente aqui no Galo. Estamos bem felizes aqui. A minha família está estabelecida, hoje foi o primeiro dia de aula das minhas filhas. Estamos no adaptando muito bem”.

Dia a dia como CEO do Galo

“Aqui é uma intensidade muito grande. Tem um dinamismo, pois há várias frentes em aberto. Tem a operação do futebol. Tenho ido ao CT duas vezes por semana, pelo menos. Na parte financeira, várias operações em discussão. Na área comercial, na comunicação, muitas coisas em desenvolvimento ao mesmo tempo. Intensidade grande, proporcional à grandeza do Galo. O dia a dia é pesado no sentido de trabalho, mas leve ao trazer um conforto e segurança de que estamos fazendo as coisas da melhor forma possível”.

O impacto de um novo comandante na SAF

“Eu completo exatamente um mês, comecei exatamente no dia 2 de janeiro. A gente fazia a transição do cargo um pouco antes. Foi um mês forte, com muita coisa acontecendo. O pessoal foi extremamente acolhedor, aqui na Arena MRV e na Cidade do Galo. Claro que uma nova liderança pode trazer uma insegurança no cenário geral. Mas estou vendo uma situação interessante aqui, pois pensei que teria mais resistência em alguns setores. É o contrário, estão todos abertos a um novo momento do Atlético, nas duas áreas, na administração e futebol, ainda que sejamos uma empresa única, só que a realidade do dia a dia é diferente”.

“Estamos todos convictos que será um ano desafiador, não só em termos financeiros, mas em processos. Só que temos um plano bem legal para o nosso Clube”.

Diferença de estar fora e dentro do processo

“Como sócio da EY, fiquei no Atlético entre 2020 e 2025, como sócio do projeto. Ou seja, não há grandes novidades do cenário. Eu já conhecia a estrutura. Ao mesmo tempo, o trabalho de consultoria tem algumas vantagens, de ter uma visão mais ampla. Eu trabalhei com outros clubes, e você traz uma vivência e visão mais clara. No dia a dia, quando mudei e vim para esse lado da mesa, as coisas são mais intensas, a tomada de decisão tem outro ritmo. Não há surpresa estrutural, mas a tomada é mais rápida. E eu vim para esse desafio promissor, já conhecendo a casa. O consultor indica um caminho e vai para casa. Agora, a gente vai executar juntos as ideias. É mais desafiador. Estou gostando mais”.

Participação em tomadas de decisão da temporada 2026

“Estou participando ativamente, principalmente no que diz respeito ao orçamento e ao departamento de futebol. Toda essa mudança que estamos fazendo, uma mudança até estrutural no futebol, eu já estava participando. Então, sim, mas com a caneta mesmo, a partir de janeiro, com essa responsabilidade maior”.

Como funciona a estrutura de administração da SAF?

“A gente tem uma estrutura de governança bem robusta, bem clara. Há o Conselho de Administração da SAF, que é o guardião da estratégia. Eu, como CEO, sou o líder da execução. Por isso essa nomenclatura, chefe dos executivos. Eu executo o que é desenhado no planejamento estratégico, e repassamos para toda a diretoria e staff para fazermos essas ações da melhor maneira possível. Eu estou presente nas reuniões desse Conselho, com tomadas de decisões conjuntas e deliberações institucionais. O dia a dia fica mais claro. E desenhamos o plano tático, que é tocado pela estrutura interna. O papel de cada um é muito claro. A estrutura de governança da SAF trabalha muito bem nesse sentido, para que tenhamos êxito em concluir o que foi desenhado”.

O CEO do Atlético manda no futebol? Como funciona esse relacionamento com o CSO Paulo Bracks

Esse tema é interessante porque foi uma quebra cultural no Atlético. A gente tem que lembrar que a SAF é uma empresa de futebol. Então, o CEO responde pelo futebol. E cada área tem a sua diretoria. Na área do futebol, há o Paulo Bracks. Ele reporta para mim dentro dessa estrutura. Quando falamos de contratar um atleta, a gente tem um processo bem claro. Há a comissão técnica, que tem a visão das necessidades do dia a dia, tem o CIGA (Centro de Inteligência do Galo), que traz o mapeamento e o desenho do perfil de atleta. E o Paulo Bracks discute comigo a parte financeira, estrutural, técnica, e perfil. Tomamos a decisão em conjunto e com a participação do Conselho de Administração. É uma empresa de futebol. O CEO é só administrativo? Não, caso contrário, ele seria um diretor-administrativo. É uma empresa de futebol e eu coordeno essa parte também”.

Planejamento do Futebol Feminino do Atlético

“Discutimos bastante sobre o futebol feminino, que atingiram as metas do ano passado, voltar para a Primeira Divisão, que é de fato o lugar das Vingadoras. Pensamos muito em como consolidar o Futebol Feminino no Galo. Uma das decisões tomadas foi a reativação do sub-20. Além disso, não anunciamos oficialmente, mas aqui é um canal oficial, iremos ter um diretor que irá cuidar especificamente do futebol feminino, que é o Pedro Tavares, exatamente para dar a importância e o foco necessário para atingir as metas traçadas”.

Reestruturação do CT nas categorias de base

“Quando falamos de base, pensamos no nosso coração. Ali está o nosso futuro. Então, um plano inicial que foi desenhado lá atrás e estamos executando é a construção do novo prédio da base. Até brincamos com o pessoal do profissional que eles vão querer ir para lá. Está sensacional. Foi desenhado por um arquiteto interessante, com todos os benchmarks possíveis no universo de CT de base. É um investimento inicial de R$ 10 milhões, e queremos ser a referência disso na América do Sul.

“Não só na base, mas há uma atualização estrutural na parte do profissional. Eu espero que estejamos sempre em obra, construindo o futuro. A grande meta é ser a referência de categoria de base na América do Sul”.

Contratação do novo treinador do Sub-17, Rafael Paiva, com a promoção de Henrique Teixeira ao Sub-20

“Fizemos, com a coordenação do Luiz Carlos, essa atualização do Sub-20 e do Sub-17, com ótimas perspectivas. Estamos no caminho certo. Falamos de infraestrutura, falamos muito de processo, coordenação das ações, afinal de contas a estrutura do profissional precisa de integração com a base. E o terceiro pilar são as pessoas. E estamos ligados à pessoas que tenham aderência ao processo”.

Como é a conversa para definir o orçamento do futebol para 2026?

O orçamento foi muito desenhado a nível de Conselho e diretoria executiva. A operação do futebol exige que a gente execute dentro do que o orçamento está desenhado. A comissão técnica, por exemplo, não participa da discussão do orçamento, mas da discussão técnica, de saber se tal atleta tem o perfil do estilo de jogo. O CIGA traz uma visão mais tecnológica, de mapeamento, comparações, e é um trabalho fantástico. Eu já trabalhei com quase todos os clubes no Brasil. Igual ao CIGA, em termos de sistema e pessoas, eu não encontrei. Eles conseguem chegar a um nível de detalhamento até mesmo sobre o comportamento do atleta, se há adaptabilidade com o ambiente atual. Sobre o mérito orçamentário, começamos a analisar que são escolhas. Não há orçamento ilimitado. Precisamos de um lateral esquerdo? Não temos como fazer um filtro e trazer o melhor, apesar de termos trazido um ótimo nome que é o Renan Lodi. A gente tem um orçamento limitado. Se a gente investe mais num atacante, sermos mais conservadores no zagueiro. Esse tipo de discussão e decisão, o Sampaoli e sua comissão participam. Então, nos falamos em boa frequência”.

Qual o projeto esportivo para essa temporada?

“Sim, na verdade fizemos um desenho de médio prazo, que é o que chamamos de Galo 2030, onde queremos que o Atlético esteja no ano de 2030? E todas as estratégias são pensando nessa linha. Afinal de contas, como atingir o curto prazo para chegarmos no que queremos no médio prazo? Estamos pensando que, no nosso primeiro ano, não teremos o orçamento de Palmeiras e Flamengo, que são os dois maiores orçamentos do Brasil. Assim, precisamos ser muito mais assertivos na tomada de decisão para sermos competitivos. Estou confiante em termos uma performance melhor do que foi em 2025. Claro que existe um encaixe, um contexto, que foge co controle financeiro, comportamental ou técnico. O perfil que traçamos e estamos executando para 2026 está melhor do que do último ano”.

Construção do Fair Play Financeiro no futebol brasileiro e o impacto na gestão do Atlético

“Eu fui contratado com consultor da CBF para elaborar o projeto. Eu já tinha feito um projeto de Fair Play Financeiro em 2013, e trouxe para o Brasil quando a Europa tinha acabado de aprovar. Era uma grande novidade aqui, mas um momento de mercado em que não havia tanta maturidade. Agora, quando a CBF retornou o assunto, eles me convidaram para liderar o grupo de trabalho”.

“Como faremos que o ecossistema do futebol, principalmente os clubes, consigam honrar os compromissos firmados. Quando falamos de Fair Play Financeiro, basicamente é evitar o doping financeiro, que é operar fora da realidade. Você acaba competindo com outros clubes que andam na linha. Se você fatura R$ 100 milhões, mas sua folha salarial é de R$ 200 milhões, e está com salário, direito de imagem, e compromissos com terceiros atrasados, você está com alta performance. E o clube que fatura R$ 150 milhões e gasta dentro da sua realidade, irá ficar atrás do outro clube que está nesse chamado “doping financeiro”.

“O Fair Play chega para proteger o ecossistema. Olhando aqui para o Galo e os outros clubes, é uma bela proteção em termos de pressão externa. Eu preciso contratar? Sim, mas precisa ser dentro da realidade, caso contrário, seremos punidos. Não adianta falar que irá trazer um novo centroavante se perder alguns jogos seguidos. O Fair Play irá trazer uma grande credibilidade e o maior avanço no futebol brasileiro dos últimos anos”.

“Foi um grupo de trabalho, então todos os clubes participaram, inclusive o Atlético. O escopo técnico estava definido, e os clubes deram as suas contribuições. Começa agora? Começa daqui dois anos? Como serão as punições?”.

Relação do Atlético com a Massa e projetos como Dia de Galo e Conselho da Massa

“A torcida é o maior ativo do Clube. Podemos discutir: do que o Atlético vive? Vive da Massa, e vice-versa. É um negócio muito legal. Eu tenho sentido agora de maneira mais viva, e é impressionante. Esse foi o ponto principal. Como a gente consegue, não é nem se aproximar. Porque sempre fomos próximos. Como conseguimos ser unidos no dia a dia? Temos a limitação da Arena MRV, se fomos ver o jogo, é um espaço físico limitado para receber a Massa. Então, estamos discutindo ações, entre elas, de ir para o interior. Existem outras que iremos anunciar em breve. Fora o dia de jogo… O Atlético é uma empresa de futebol, mas é também de conteúdo. Como o torcedor consegue estar próximo, participar, se sentir pertencente. Estamos discutindo várias ações. Entre elas, lançamos o Conselho da Massa, que é ouvir. A rotina consome as pessoas, e muitas situações que parecem simples, passam batido. Então, queremos ouvir torcidas organizadas, embaixadas, consulados. A gente chama de “personas”. Diferentes personas que pertencem ao Atlético como um todo. São várias ações. O Conselho da Massa será uma peça-chave para tomarmos decisões que serão discutidas ali dentro”.

Conselho de Massa

“Esse é um projeto que foi uma briga aqui, interna. Porque terá um representante. Depois de alguma discussão, saiu um nome que não teve mais como contrapor, que é o Davi (César), que é consultor de acessibilidade da Arena MRV, um representante claro da nossa administração, do Galo. Ele será o representante do Atlético do Conselho da Massa, não sei se foi anunciado, mas se não, está. Teremos outros representantes e vamos criar pautas de reunião. Serão quatro reuniões por ano, cada uma com uma pauta pré-selecionada. Precificação de ingressos, estrutura comercial… Cada pauta iremos ouvir a percepção de cada um, pois pode ter processos de melhoria que passam despercebidos no dia a dia. A dinâmica estará bem clara. Sempre teremos a ata de reunião, o Davi vai nos representar. E estamos bem empolgados com esse projeto”.

“Vai ser muito legal ouvir diversas opiniões, distintas, de quem não está, necessariamente, no dia a dia do Clube. Estamos abertos. É o primeiro conselho de torcida assim no Brasil. Ainda mais com a dimensão da torcida do Galo, isso irá ajudar bastante”.

A experiência de ver um clássico Atlético x Cruzeiro na Arena MRV

“Foi demais. Eu fiquei impressionado. Trouxe o meu pai para ver o jogo, e ele saiu com uma sensação sobre a dimensão do desafio que eu terei. E eu disse que estava mais preparado ainda. Foi uma operação fantástica. Nosso time de operações… Foi a volta do torcedor visitante do nosso rival. Tivemos 2,5 mil torcedores visitantes, com complexidade de segurança, conforto. Um alinhamento bom com a FMF. Tivemos um aparato tecnológico de controle, operação. Vendo no dia a dia, posso dizer que temos a melhor operação de jogo de forma disparada no futebol brasileiro. Trouxemos segurança, conforto, acessibilidade, num nível muito elevado”

“Acabou o primeiro tempo, com aquela sensação… Dava vontade de entrar em campo. Talvez não tinha como ser melhor. O time não estava jogando mal, estava jogando bem. Quando houve o segundo gol, no segundo tempo, a vontade era de invadir o campo. Adrenalina muito diferente. E o pessoal ainda falou que todo jogo é assim (risos)”.

Rede sociais com críticas e cobranças

“Eu filtro bastante. Nós temos a nossa área de comunicação liderada pelo Domênico, e ele filtra bastante. Se você ficar refém de rede social, aquilo de consome, e nem sempre é o que a torcida acredita. Eu tomo muito cuidado com isso. E o Domênico faz um trabalho legal de mapear, filtrar. Tem coisa que é importante e temos que saber. Confesso que não sou o maior assíduo de rede social, mas a Diretoria de Comunicação tem feito esse filtro para separar o que é proveitoso”.

“A nossa ala de comunicação profissional faz esse filtro do que é relevante na rede social. Nós estamos atentos com o que acontece, ouvimos e passamos a pensar na tomada de decisão daquilo que é real”.

Aporte financeiro para a SAF do Atlético

“Hoje, de maneira operacional, o Atlético consegue ser sustentável. O ponto é que temos um passivo elevado. É uma dívida elevada. Estamos falando de um Brasil com taxa de juros elevada, 15% da Selic. E dívida fica cara. Pagamos muitos juros. Ainda vamos soltar o balanço, mas são mais de R$ 200 milhões de juros em 2025. É um volume considerável que deixa de ser utilizado na operação, no futebol. Então, precisamos reestruturar a dívida. Quando a gente fala do aporte, precisamos atacar o passivo que nos onera. Que nos machuca no dia a dia. É aquela dívida do cheque especial. Você sabe que precisa resolver logo, porque ela vai crescendo rápido com juros elevado. O aporte então é basicamente para atacar a dívida onerosa, diminuindo o que pagamos de juros, e que a gente possa ter uma operação mais saudável. A gente está, sim, numa discussão avançada em relação aos aportes, para aliviar a parte de juros. O aporte é necessário para atingir o que queremos. Podemos continuar como está? Sim, mas não é a maneira mais eficiente para atingir os objetivos a médio prazo”.

“Esse aporte que estamos definindo é basicamente para dívida. Vai ter um aporte para um novo investimento no futebol? Não. Vamos ajustar a estrutura para o futebol crescer com o passar do tempo. Iremos deixar de pagar juros para ter o dinheiro mais elevado no futebol”.

O que é mito ou verdade sobre a situação financeira do Atlético?

“O clube cresceu muito de receita. Vamos fechar o ano de 2025, ainda haverá ajustos, mas próximo de R$ 800 milhões de faturamento. Empresa grande e relevante. O ponto é que houve movimento inflacionário no futebol, salários ficaram mais caros, seja por conta das novas SAF’s, Bet’s entrando com patrocínios caros. O mercado ficou mais caro, ser competitivo ficou mais caro, e vários clubes se alavancaram. Ou seja, para ser competitivo, teve que se arriscar mais. Aqui no Galo, de alguma maneira, aumentou o investimento. O Atlético foi top-3 em termos de investimentos nos últimos 5 anos. Temos que entender que o Clube se alavancou para ser competitivo. Mas a taxa de juros no Brasil mudou. Antes da pandemia, era uma taxa de 2%, 3%. Agora está em 15%. A dívida ficou cara, e a consequência é pagar mais juros. Esse aporte que estamos falando vem para auxiliar nesse ponto. Então, o Galo, hoje, é muito alavancado? A dívida cresceu, mas a receita cresceu. Quando falamos de saúde financeira, estamos com uma alavancagem menor do que a gente tinha há alguns anos. Estou confiante que teremos um futuro a médio prazo interessante para o Galo”.

Como diferenciar a SAF da Associação? A SAF é o futuro do futebol brasileiro?

“Eu participei da elaboração da Lei da SAF. Então, eu fui uma pessoa que ficava elogiando e quero o futuro da SAF. Ao mesmo tempo, participei de dois projetos em associações que funcionaram muito bem, que é Palmeiras e Flamengo. Fiz consultoria para os dois clubes, e são referência em termos de gestão, e são modelos associativos. A diferença é que, em modelo associativo, você tem período de mandato. Ou seja, eleição a cada três anos. O risco de não conseguir implementar o planejamento a médio prazo é maior. A gestão pode mudar, pode vir uma oposição e rasgar o que foi traçado. Na SAF, a visibilidade de médio a longo prazo é maior. Traz conforto em traçar o planejamento estratégico. E mais conforto ao mercado. Veja o patrocinador, conseguimos na SAF fazer um contrato de longo prazo. No modelo associativo, a zona é mais cinzenta. Isso aconteceu em vários clubes. A mudança do Flamengo é clara, o que era o Landim, o que é o Bap, até mesmo o Bandeira lá atrás. Isso pode gerar cenários de incertezas. Ele pode até ser melhor que o anterior, mas é de incerteza”.

A Arena MRV

“Eu conheço muitas arenas pelo mundo. A Arena MRV é um diamante que o Atlético tem aqui. É a grande verdade. Claro que é possível lapidar. Ela é fantástica no sentido de operação de jogo, como falamos há pouco, tem estrutura pronta para grandes eventos, de fato simboliza a nossa casa própria. Essa é a nossa casa. Houve aprendizado, principalmente no início, depois identificamos que a acústica não era a que a gente gostaria. Fizemos a obra. Agora estamos discutindo para fazer a reforma da acústica na outra ponta. É um organismo vivo e está sempre em melhoria. É a nossa casa. Posso falar? Ela impressiona. Você pode andar na cidade inteira que você a vê. Falei isso com a minha família. Isso nos traz uma sensação de pertencimento. Fora que é maravilhosa. Vamos discutir mais termos estruturais para monetizar ainda mais. Quanto mais monetizar, melhor vai ser o nosso time, pensando em um ciclo virtuoso”.

Relação entre eventos e futebol na Arena MRV

“Temos que lembrar que teremos aqui, por ano, 30 a 35 jogos. Então, o ano tem 365 dias. Se ficar em operação de jogo apenas, não seria o uso mais eficiente da Arena. Por isso temos essa estrutura. Também não é puramente uma casa de shows. É uma arena de futebol. Estamos pensando como monetizar da melhor maneira possível, seja com grandes eventos, ou eventos do dia a dia, de menor porte. Empresas podem fazer festas de confraternização. Aqui em Belo Horizonte, não vejo um lugar melhor para se fazer eventos de diversos portes como na Arena MRV, seja eventos musicais, corporativos. E que a gente consiga usufruir da melhor maneira possível. Ainda tem a Esplanada, um espaço maravilhoso para pensar em outras alternativas. O hardware está pronto, agora é ajustar o software”.

Relacionamento institucional com CBF, Conmebol e Fifa

“Para nós é fundamental que a gente consiga entender o ecossistema que fazemos parte, seja FMF, CBF, Conmebol, Fifa. Eu estava na segunda-feira na Conmebol, 10 anos da gestão do Alejandro Domínguez, ele fez um jantar, um evento, veio o Infantino (presidente da Fifa). Precisamos lembrar que o Atlético é uma marca global e precisa estar situada em todas as frentes. O Galo é uma das maiores marcas do mundo, e temos que estar nas melhores mesas do mundo”.

Precificação dos ingressos

“Dentro da nossa diretoria de operações, temos diversas ferramentas, como Inteligência Artificial. Eu não conhecia, é inimaginável. Fui ver na prática. E tem toda uma curva de qual seria o preço ótimo de cada setor. Existe a decisão racional. Ao mesmo tempo, temos a nossa sensibilidade, sobre a torcida, o jogo, cada um dos setores. Então, há ajustes. É uma discussão interna. Contra o Cruzeiro, vamos fazer R$ 29,90, R$ 24,90, dependendo do GNV e do setor escolhido. O preço médio do ingresso do Atlético não é elevado, se comparar com outros clubes e com o histórico do Clube. Há situações específicas que merecem um olhar mais atento. O mais importante é que a torcida esteja aqui. Obviamente, quando pensamos na performance, precisamos monetizar ao máximo para que tenhamos os melhores jogadores. É uma lógica, caso contrário, seria portões abertos para a torcida. Tudo faz parte do mesmo ecossistema. Mas, para mim, de novo, eu ficaria muito feliz de termos o estádio cheio todas as vezes”.

Como você enxerga o Atlético daqui cinco anos?

“No futebol, cinco anos é muito tempo. Eu estou há um mês aqui, mas parecem que foram três anos. Eu realmente queria que o Galo fosse referência não só dentro de campo, mas fora de campo. Uma coisa se conecta com a outra. Falo bastante do Galo 2030, porque a meta clara é ser protagonista em tudo que for disputar, dentro e fora de campo. Eu não quero sair, mas se eu saísse em 2030, ficaria satisfeito se fosse protagonista e entrasse em todas as competições entre os postulantes ao título, na linha de frente. E de maneira representativa, fora de campo, referência em seus setores. Torcida a gente tem, a tem a infraestrutura, a gente vai ter o CT reformado, temos as ferramentas necessárias. Até fico empolgado ao pensar. Realmente vamos construir um Galo muito melhor”.

“Existem ajustes de rotas naturais, mas temos a vantagem quando falamos de SAF, porque os acionistas são torcedores do Galo. Em termos de investimento e do que eles querem para o Galo, é um negócio maluco. Há outros investimentos muito melhores do que investir em futebol. Mas eles querem colocar no Galo pela paixão. É um ativo que a gente também tem”.

Sentimento de já ser torcedor do Galo

“Sim, como falei ali, dá vontade de entrar em campo. A minha filha é Galo mesmo, sem conversa. Ela incorporou mesmo, no armário, por exemplo, ela já separa o que é azul para não usar. É demais”.

Avaliação da janela de transferência

“A janela ainda não fechou, sempre estamos atentos a movimentações. Acho que fizemos uma reformulação bem interessante, se comparar com outros clubes. Número de saída elevado, e reposições/investimentos que fizemos foi muito bem discutido com comissão técnica, CIGA e o Conselho de Administração. Estou bem confiante que fizemos janela boa, apesar de ela não ter fechado. A gente tem melhores opções para o elenco, uma visão de integração com a base clara. Alguns atletas que subiram da base. A gente tem uma linha bem confiante. Num curto espaço de tempo, iremos ver bons resultados. Sou suspeito para falar, porque eu participei, mas a janela foi bem interessante. Estamos sempre atentos, porque a janela não fechou”.

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