Técnico analisa a final da Copa Sudamericana
Pergunta: Quais os motivos você enxerga para o Atlético não ter sido campeão?
SAMPAOLI: “Porque não foi contundente, porque não aproveitou as chances que teve, contra um rival que, praticamente, nunca nos incomodou. A contundência é parte do futebol, e veio os pênaltis. É algo difícil de analisar”.
Pergunta: Queria que você falasse sobre o que você viu nesse jogo em relação ao poder de decisão dos jogadores que você tem à disposição, pensando muito no planejamento de 2026…
SAMPAOLI: “São escolhas. A gente vinha de uma sequência de muitos jogos. E a escolha tem a ver com a estrutura que escolhemos quando chegamos aqui, para mudar a trajetória do time (na temporada). Creio que, numa final, sendo tão superior, não conseguimos ganhar. E isso, por aí, é algo amargo e provoca dor, basicamente, por todos os torcedores que vieram apoiar a equipe e merecia outro resultado. Lamento muito não ter a possibilidade de que a equipe tenha concretizado as chances e situações de gol que teve na partida, pois foram claras. Bem, terminamos indo para a disputa de pênaltis, e fomos erráticos, com o rival aproveitando disso”.
Pergunta: O Atlético tem dívida alta e elenco desequilibrado. Uma base promissora, mas atletas que não se encaixaram no ano. Como fazer essa conexão?
SAMPAOLI: “Parece ser um processo de um período de adaptação. Mas, a verdade é que, lutando contra a zona de rebaixamento, e jogando a cada 72 horas, não havia muito tempo para inserir jovens que, no futuro, terão, ou garantirão que o clube tenha atletas promissores, como havia em 2020, como Sávio, Calebe. Em um trabalho que começa desde o início do ano, fica mais fácil inserir esses jogadores. A dinâmica é tão alta, e a quantidade de jogos, isso não nos permite ter com claridade a leitura correta de como esses jogadores jovens poderiam se encaixar na equipe”.
Pergunta: Essa atual diretoria é conhecida em fazer o orçamento nas receitas previstas. As chances de o Atlético ir para a Libertadores em 2026 são remotas. Você confirma sua permanência independentemente do valor a ser investido no ano que vem?
Sampaoli: “Eu tenho contrato por dois anos aqui, um ano e meio. Quero fazer um projeto a longo prazo neste clube. Depois, em Brasil, é um pouco complicado. Mas a minha ideia é essa. Construir algo como foi construído em 2020”.
Pergunta: Em que momento você sentiu que houve um cansaço físico do time contra o Lanús?
Sampaoli: “Creio que no final da partida, sentimos um pouco, inclusive, fizemos as trocas forçadas por lesões. A gente vinha em sequência grande de partidas. Isso nos desgastou muito. O Lanús pode ter tido um pouco mais a bola, mas não sentia que eles iriam nos ganhar de alguma forma, no tempo normal. Mas concordo que no decorrer dos 90 minutos, nos primeiros 15 da prorrogação, fomos superiores. No segundo também tivemos o mano a mano do Biel, mas concordo que sentimos o cansaço no segundo tempo da prorrogação”.
Pergunta: Pelo segundo ano consecutivo, o torcedor do Atlético viaja para apoiar o Galo acreditando no título continental. Muitos deles voltam para casa tristes, lamentando a falta de entrega a mais da equipe, por ser uma final. O que você pode falar para esse torcedor?
Sampaoli: “Pedir desculpas. Na realidade, acredito que o time deu o máximo que pode, não poupou esforço. Valorizo o sacrifício da torcida de viajar tão longe para ver o time campeão. Creio também que o resultado, tampouco, tem que tampar a realidade do que foi o jogo. Futebol é assim, aconteceu. Hoje, se tivesse que ter um ganhador no tempo normal, teria de ser o Atlético Mineiro. Felicito o Lanús, que fez uma grande Copa Sudamericana. Difícil explicar o que aconteceu”.
Pergunta: Havia preparado, você, o ingresso de Junior, que não aconteceu, pensando nos pênaltis. Se ele tivesse batido o pênalti, qual seria a ordem?
SAMPAOLI: “Creio que a ordem era o quarto, mas não deu tempo para fazer a modificação. Mas creio que iria acontecer a mesma coisa. Estávamos confiante nos pênaltis, temos bom cobradores e um bom goleiro. Mas não aconteceu”.
Pergunta: Queria que você falasse do Everson, que defendeu um pênalti e converteu o dele. Estava muito abatido depois do fim do jogo…
SAMPAOLI: “Sim, ele estava bem triste, porque nos escapou um título que estava próximo. Todos, dentro do vestiário, tentam entender como o time não ganhou a final, não ganhou o torneio. O Everson é um goleiro que nos dá muito, não só no jogo, mas nas definições de pênalti, já deu muito a esse clube. Os passos seguintes para classificar na Sudamericana foi graças a Everson. Agora, temos que jogar em 48h contra o Flamengo, líder do torneio. Não há tempo para ficar com amargura, nem nada. É levantar a cabeça e tratar de ver quais jogadores estão melhor para jogar na terça-feira”.
Pergunta: Crê que o futebol é injusto com você?
SAMPAOLI: “Não sei o que dizer. Não creio que trata de justiça ou injustiça. É uma partida de futebol. Para mim, a torcida pode se expressar como quiser. Somente me preocupa com minhas atribuições, com a minha equipe. Fizemos de tudo para chegar até a final da Copa Sudamericana, fomos superiores”.
Pergunta: Queria consultar que, agora, se pudesse voltar atrás, o que teria feito nessa partida?
SAMPAOLI: “Nada… Nao sei, e uma pergunta que tem que ver com imaginação. Foi uma partida que planejamos, e é uma partida que não se joga de novo. Nós trabalhamos muito para jogar ela, podemos analisar os erros. Mas o que faria se voltasse no tempo, tem a ver com imaginação. Vamos pensar no jogo de terça-feira contra o Flamengo, pelo Brasileiro”.
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