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ENTREVISTA

Coletiva de imprensa com o CSO Paulo Bracks (16/3)

Executivo de futebol fala sobre o momento da equipe na temporada

16/3/2026 16:53
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O CSO do Atlético, Paulo Bracks, concedeu entrevista coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, 16 de março, na Arena MRV. O executivo de futebol da SAF do Galo falou sobre o início de temporada 2026, o planejamento no departamento, o momento de aumentar a confiança e o rendimento da equipe na busca por melhores resultados no Campeonato Brasileiro.

O Galo terá um importante compromisso nesta quarta-feira, em casa, diante do São Paulo, pela sétima rodada da competição. É a chance de dar uma resposta diante do tropeço contra o Vitória no fim de semana. Paulo Bracks, antes de abrir para perguntas, iniciou com um pronunciamento:

“Depois da minha última coletiva, no início de janeiro, acho que a análise do momento que estamos passando é necessária. Janeiro, março, e projeção março-dezembro. Tivemos troca de comando técnico, o vice-campeonato mineiro e, agora, início do Brasileiro, com seis rodadas. Ainda não começaram a Copa do Brasil e da Sudamericana. Acho que é um momento relevante para analisar o futebol, como está hoje o Clube, entendendo, respeitando e concordando com a insatisfação do torcedor.

O torcedor do Atlético está puto e nós também estamos insatisfeitos e venho aqui falar sobre isso com vocês hoje”.


Confira a transcrição da entrevista com Paulo Bracks 

Pergunta: Queria que você falasse sobre a insatisfação do torcedor com os reforços. Foram gastos nas últimas janelas algo na casa de R$ 200 milhões. 18 jogadores contratados e pouquíssimos rendendo o que se espera que esses jogadores rendam. Sendo que muitos deles não tem aquela alma que o torcedor do Galo gosta. O que o Atlético pretende fazer daqui para frente?

Paulo Bracks: Essa primeira janela do ano, de 2026, participei 100%. Fizemos sete movimentações. Disso, temos três atletas que são titulares, digamos assim – Renan Lodi, Maycon e Victor Hugo são titulares. O último que chegou da janela foi o Tomás Perez, que estreou na última partida, avaliado positivamente por alguns de vocês. Os outros três atletas foram de investimento: Preciado, Minda e Cassierra. Esses atletas, e não é coincidência serem os brasileiros e não os estrangeiros como titulares. Esses atletas (estrangeiros) vão requerer um tempo de adaptação ao futebol brasileiro, ao calendário, modelo de jogo, ao treinador. É natural e já aconteceu em outros momentos não só no Atlético, mas outros atletas em outros clubes. Jogador como Flaco López no Palmeiras, Jhon Arias no Fluminense. Exemplos de atletas que demoraram a apresentar o futebol.

Acreditamos muito nesses atletas. Hoje, temos no elenco, cerca de seis, sete jogadores selecionáveis, sendo que Preciado e Minda são dois desses. Acreditamos muito nesses jogadores.

A insatisfação do torcedor não é necessariamente nos reforços, até porque temos pouco tempo de análise. Mas é nos resultados. O resultado acaba balizando confiança, não só do torcedor, mas do grupo. O nosso trabalho é de injetar confiança, cobrar atitude e cobrar do nosso elenco – que tem qualidade – uma melhor atitude. E de todos nós, não só jogadores. O pedido que fiz para o Eduardo Domínguez na coletiva de apresentação dele, eu mantenho: ter um time com mais alma e identidade com a torcida do Atlético, que eu conheço bastante.

A janela foi elogiada pela maioria de vocês aqui, a maioria da torcida. É trabalhar para fazer esses jogadores performarem em alta.

Pergunta: Nos dois últimos anos, o Atlético disputou para fugir do rebaixamento do Brasileiro. Nesse momento, o Galo segue na parte de baixo da tabela. Esse elenco do Atlético, que é apontado por muitos para disputar lá em cima, a realidade é outra. O Atlético vai mesmo disputar na parte de baixo? Ou vai ter que mexer muito no elenco, no meio do ano?

Paulo Bracks: A gente ouve muito as perspectivas do ano, qual vai ser essa baliza, se para cima ou para baixo. Vamos dizer que o Atlético brigou para não cair nos dois anos – 2024 e 2025. Mas eu não ouço que o Atlético brigou para ser campeão. Isso eu não ouço que o Atlético foi finalista da Libertadores, da Copa do Brasil e da Sul-Americana. E levam sempre para que a gente esteja próximo do inferno, ninguém leva para próximo do céu. Nós caímos? Não. Fomos campeões? Também não. É preciso fazer uma análise equilibrada diante do positivo e negativo desses dois últimos anos, e aplicar nesse que está começando. Fomos campeões mineiros em 2024 e 2025. Fizemos o Campeonato Mineiro com desempenho ruim em desempenho. Apesar que a gente perdeu um jogo só, na final, e a bola nem balançou a rede. Entendemos que foi um Mineiro ruim e começamos o Brasileiro ruim também. A gente faz uma troca de comando técnico não só pela sequência de resultados. Nos últimos 20 jogos, ou se pegar o pacote completo do período do treinador anterior, a gente quase empatou 50% dos jogos. E quando você empata 50% dos jogos, você tem aproveitamento baixo, que é 33%. Começamos o ano da mesma forma, empatando muito.

Nosso objetivo é brigar na parte de cima, por isso tivemos que fazer intervenção no comando técnico. Não só o Atlético, mas são seis rodadas do Brasileiro e seis trocas de treinadores de clubes grandes. Acreditamos no trabalho da nova comissão técnica, que fez quatro jogos. Que a gente, com o elenco que temos e o elenco que teremos na janela de meio do ano, com intervenções com a nova comissão técnica, a gente não vai passar por isso de novo. Vamos figurar na parte de cima da tabela, onde é o nosso investimento, a qualidade de elenco, comissão técnica e do clube como um todo.

Estamos muito insatisfeitos com esse início de ano, estamos em março. Mas eu acredito muito que a gente vai conseguir virar essa chave, fazer o trabalho engrenar e ter resultados melhores dentro e fora de campo.

Pergunta: Na temporada 2025, o Atlético ‘flopou’ nas competições seguintes: Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sudamericana. Você disse que algumas contratações que você fez darão liga ainda, precisarão de tempo. Você dispensou ou negociou 13 jogadores, e trouxe apenas 7. Desses 7, apenas três são titulares. Não há erro de planejamento nisso? Sendo que o Atlético era pouco regular em 2025, não disputou na cabeça nenhum dos títulos de real importância? Quero entender como um planejamento pode ser certo se são jogadores para o futuro e os jogadores para resolver não chegaram nas posições mais carentes da equipe?

Paulo Bracks: Eu não falei que os jogadores não estão prontos. Não falei isso. Não falei que o planejamento está correto, isso não saiu da minha boca. Está na sua pergunta. Esses atletas estrangeiros vão exigir um pouco mais de tempo do que os atletas nacionais. Por conhecimento do elenco, do campeonato, do calendário. E a maioria dos atletas estrangeiros passam por esse período de adaptação. São jogadores para agora. O Cassierra foi titular em um jogo. E no último jogo, ele só não foi titular porque tinha contusão no pé, tratou a semana inteira e quase não viaja. O Minda não foi titular ainda. São jogadores que a gente acredita que irão dar resultado, futebol é resultado de quarta e domingo, não são jogadores para o futuro.

As 14 saídas que a gente entendeu que deveria fazer, junto com os tomadores de decisões do Clube. E é importante falar que eu sou o líder do processo, mas as decisões são compartilhadas, com os acionistas, o CEO do Clube, o CIGA, e a comissão técnica. As saídas fizeram uma oxigenação no elenco. E somado aos sete reforços desse ano e mais atletas da base – eu preciso falar da base – a gente entende que reformulamos o elenco. Essa reformulação do elenco ainda não deu o resultado que a gente queria. Significa que a gente está projetando o elenco para o segundo semestre? Não. Estamos projetando para agora, para a partida de quarta, de sábado. O futebol não vai esperar. A gente não tem paciência para esperar resultado, mas temos que ter convicção nos movimentos.

Eu creio que não se faz uma reformulação completa em uma janela só, vamos ter o complemento na janela do meio do ano. Entendemos as posições de lacuna, todo clube tem, o líder do Campeonato Brasileiro tem, assim como o atual campeão. Temos lacunas e ainda vamos ter lacunas. É impossível você completar todos os setores e fazer com que todos eles atuem de igual maneira. As posições tidas como carentes, podemos até concordar. Mas é um contexto de montagem de elenco que faz a gente entender se estamos no caminho adequado ou não. E também com comissão técnica. Eu acredito na troca da comissão técnica e na potencialização de jogadores que chegaram agora e que estavam aqui para termos resultados melhores.

Creio muito que tomamos a decisão certa de troca de comando, por tudo que circundava, e por tudo que a gente projeta. O elenco não está fechado e não vamos fazer reformulação completa dentro da uma janela só. Dentro da limitação financeira que o Clube tem, e cumprindo os orçamentos, que são as diretrizes que eu tenho aqui dentro.

Pergunta: Sobre as atuais projeções do Atlético na atual temporada, quais são em cada competição? Depois da derrota no Campeonato Mineiro, houve mudança de rota no planejamento?

Paulo Bracks: O Brasileiro tem que ser prioridade do Atlético neste ano. A gente não pode deixar de priorizar nenhuma das outras competições, precisamos entrar para tentar ganhar, apesar da dificuldade da Copa do Brasil. Mas na Copa Sudamericana, vocês mesmos disseram que chegamos aos trancos e barrancos na final. Queremos chegar na final outra vez. A Sudamericana tem que ser uma obsessão para o Atlético esse ano. Pelo tanto que foi doído aquele 22 de novembro. Dói muito, e em mim dói duplamente como diretor e torcedor. Mas precisamos priorizar o Brasileiro. O que aconteceu em 2024 e 2025 não pode acontecer de novo e não vai acontecer de novo. Temos elenco suficiente para brigar em todas as competições. O elenco, como eu disse, não está fechado, faremos movimentos do meio do ano, saídas e entradas, já alinhado com o novo treinador e comissão técnica, dentro das diretrizes do Clube. Mas o Brasileiro é a nossa prioridade, não posso deixar de afirmar. Sendo que a nossa prioridade precisa ser o retorno à Libertadores em 2027.

Pergunta: Você chegou ao Clube em janeiro de 2025, e eu queria que você fizesse uma autocrítica sobre o seu trabalho. Você disse de resultados acima do esperado mas há resultados abaixo do esperado.

Paulo Bracks: Eu não falei resultados acima do esperado, mas isso aconteceu na base. No profissional, não. Nesse ano de 2026, eu estou há três meses, 24 horas no dia a dia de CT e vestiário. A minha função em 2025 era de um nível mais superior na pasta executivo de futebol, porque havia um executivo. Hoje, eu sou esse executivo. Minha função mudou. O futebol nosso, como um todo, tem evoluindo na reformulação do elenco, diminuição na média de idade, no aumento de ativos – é importante para o Atlético ter atletas para vender na janela – e isso a gente evoluiu. A gente evoluiu na transição de jogadores da categoria de base para o profissional, na minutagem desses jogadores. No ano passado, quando cheguei, disputamos o começo do Mineiro com um time sub-20 e nenhum jogador teve um minuto no Brasileiro. Nenhum jogador. E esse ano já começamos com atletas ocupando posição razoável de destaque no elenco, temos um zagueiro como Vitão de grande projeção, e entra um pouco no anseio na contratação de zagueiro. Temos o Cissé, que foi titular da final do Mineiro, que infelizmente machucou mas já vai voltar. É um jogador que vai ser convocado pela seleção de Guiné. Isso é muito importante para nós. A gente quer ganhar o jogo de quarta, mas temos que trabalhar e batalhar pelo médio e futuro prazo. O Cissé ser convocado nos mostra caminhos. O Cauã Soares é um jogador de muita projeção como centroavante. O Índio, que infelizmente teve lesão. Esses atletas mostram caminhos positivos. 

Pelo lado financeiro, o Atlético tem herança terrível financeira. Estamos conseguindo estancar, controlar, no trabalho específico, do diretor financeiro, do CEO, dos acionistas. O clube está mais saudável do que antes. Em termos de resultados, 2025 não foi bom. Se a gente tivesse vencido a Sudamericana em um lance, no segundo tempo da prorrogação, a análise poderia ser diferente. O futebol é vulnerável em termos de resultado. Por isso fizemos uma reformulação no elenco. Tivemos 14 saídas relevantes. Falei de 14, mas foram mais saídas, são 35 movimentos entre saídas, entradas e subidas de atletas da base. Entendo que o Atlético está mais controlado financeiramente. E dentro do CT. Não vi repercussão das mudanças no CT do final do ano para início do ano. Foram mais de 15 desligamentos, mudanças de processos, estruturais. Há isso no profissional e na base. Mas isso não faz ganhar jogo? Faz o clube ser mais sustentável para ganhar jogo no médio e longo prazo. A condução do trabalho… Sendo que eu me entrego 24 horas para esse clube, e eu tenho um coração atleticano trabalhando nesse departamento. Acho muito positivo para o Clube ter alguém com essa paixão do torcedor no comando do futebol. Eu quero que isso dê certo pelo lado profissional e o lado pessoal.

Pergunta: E o lado negativo?

Paulo Bracks: Eu falei do lado negativo, falei que não tivemos resultados bons em 2025. E o resultado é o que interessa, ele que reivindica mudanças no futebol. E estamos trabalhando para isso não acontecer. Não queremos ficar na parte de baixo do Brasileiro, não queremos ser eliminados na Copa do Brasil ou perder título da Sudamericana. Ano passado a gente foi campeão mineiro, e esse ano, não. Então, o negativo é o resultado dentro de campo. 

Pergunta: O Atlético vem sendo um moedor de técnicos. Veio o Cuca, veio o Sampaoli. A gente não entendeu o que aconteceu na saída do Sampaoli. Agora veio o Domínguez, um pouco nervoso após a coletiva, que causa estranheza. Está acontecendo alguma coisa nos bastidores? Racha de elenco, divergência entre técnico e elenco?

Paulo Bracks: O futebol brasileiro é um moedor de técnicos. Na verdade, o futebol brasileiro é um moedor de gente e está só piorando. Não sei qual o limite para isso. Queremos parar de moer técnico. Queremos estancar essa ciranda de treinador. Nos últimos dois anos, foram cinco treinadores. E cada um com estilo diferente. Um mais vertical, outro mais posicional, outro mais defensivo e reativo. A gente tem que trabalhar muito para dar estabilidade ao treinador. Fazer com que o trabalho seja longevo, sim. Mas a gente vive num momento de pressão no futebol brasileiro. Não gosto de citar outros clubes. O campeão brasileiro e da Libertadores demitiu o seu treinador de uma maneira muito desrespeitosa, por sinal. 

Então, a gente precisa aprender com os erros, não manter erros também, porque quando você identifica que há necessidade de mudança de rota no Atlético, você precisa mudar a rota. Não dá para ser omisso. Eu não sou omisso, estou aqui conversando com 50 jornalistas. Era mais fácil eu não estar aqui em um momento ruim. Momento bom as pessoas aparecem em todos os clubes. Tem que ter coragem para vir aqui. E a mudança nossa de um comando para outro não foi pela pressão. A gente entendeu que não teríamos avanços técnicos e de resultados, e de projetos do Clube, sobretudo projeto do Clube, e fomos buscar um treinador que foi difícil a contratação dele. Vi pouca gente explorando isso, como se fosse fácil tirar um treinador que está no quarto ano de projeto lá na Argentina, porque lá há mais estabilidade do que aqui nessa carnificina. De um cara estável, que renovou contrato em janeiro, de trazer ele para cá, alinhamento do clube, pagamento de multa, convencer o treinador que, num índice de performance, nos levou a buscá-lo. Aliado ao DNA do Atlético, que a gente precisa de um treinador que leve o nosso time a ter agressividade com e sem bola. É uma reinvindicação que temos, futebol propositivo e ofensivo. Olhando para trás, o Milito entregou um pouco disso, então, queremos resgatar isso.

Entendo que o momento de pressão é natural quando o resultado chega. O líder do Campeonato Brasileiro há menos de um mês estava em nível de pressão alto, a ponto de o treinador da época falar que o clube ia só tentar escapar do rebaixamento. Hoje, é o líder do Brasileiro, e nosso adversário de quarta. O futebol gira rápido. Não existe nenhum tipo de racha no elenco ou no CT. Há uma insatisfação nossa dos resultados. Eu estava atrás do Domínguez quando ele chutou a água. Ele não chutou para ninguém ver, não jogou para torcida. Ele foi filmado pelo Breno (Galante, jornalista). Mas ele não fez isso para aparecer. Fez um momento de raiva. Se tivesse uma câmera do camarote que eu estava assistindo ao jogo do Vitória, vocês iriam ver o que é raiva. E eu não tenho orgulho disso. A insatisfação tem que ser levada sim, mas temos que levar isso dentro do nosso CT. E tivemos uma conversa muito dura na manhã seguinte ao jogo, porque chegamos de madrugada no CT, dormimos lá. E de manhã, fizemos uma reunião, muito dura. Ali, o Eduardo e a comissão técnica foram duros com o elenco e, ao mesmo tempo, levar a confiança dos jogadores, que ficam de cabeça para baixo. Ninguém está distribuindo sorriso. Estamos insatisfeitos, mas não vai faltar trabalho para mudar esse cenário. 

Pergunta: No final do ano passado, foi falado que os acionistas da SAF fariam um aporte para atacar as dívidas do Clube no primeiro trimestre de 2026. Estamos perto do fim do trimestre. Queria saber se esse aporte será feito até o fim de março ou quando será feito.

Paulo Bracks: Vou pedir desculpas, mas aporte financeiro não é um assunto que eu falo sobre ele. A pessoa mais indicada para responder isso é o CEO do Clube, e eu estou aqui para falar do futebol do Atlético. Se quiser fazer outra pergunta…

Pergunta: Você falou de busca por reforços na próxima janela e nesse restinho de janela atual. A torcida fala muito da falta de zagueiro, e o momento defensivo do time é ruim. O Galo também fez movimentos para buscar um camisa 10, na época falaram do Assadi. O Galo vai buscar essas peças?

Paulo Bracks: O meia-armador. na verdade, foi uma oportunidade de mercado que a gente buscou. Não estávamos buscando essa posição especificamente no mercado. Se você analisar os movimentos que fizemos, que vazaram, não vazam todos, mas a maioria sim. A gente, basicamente, só conversou com esse atleta, que é um meia que joga aberto também. Pela idade, característica, buscamos informações, negociamos e não conseguimos concluir. Não era uma posição que entendíamos ser carentes. Temos peças que estão nos atendendo nessa posição, e não necessariamente a gente vai buscar. Podemos reavaliar na conversa com a comissão técnica.

Zagueiro… A gente tem zagueiro, temos seis zagueiros. A torcida tem o direito de não gostar de nenhum deles. É um direito do torcedor não gostar dos zagueiros. Mas que a gente tem, a gente tem. A gente busca não só zagueiro, mas alguns atletas com perfis diferentes. Estávamos fazendo esse movimento na janela. Coincidentemente, foi na posição de zagueiro e primeiro volante. Jogadores pontuais dentro de um sistema defensivo. Esse jogador a gente continua buscando. Se a gente não trouxe agora, possivelmente vamos trazer no meio do ano.

Nas conversas com a atual comissão técnica, com o Eduardo Domínguez, a gente também identifica perfis que faltam ao nosso elenco, não necessariamente peças e posição. Sistema defensivo não é só linha de zaga. Não gosto de citar exemplo do rival, mas vou citar. Segunda defesa menos vazada do Brasileiro de 2025 foi o nosso rival. A mesma zaga hoje é considerada a mais vazada do Campeonato. Entende? Não são peças. É o sistema defensivo, não é só qualidade do jogador ou número de jogadores no elenco, é um sistema como todo. Nós precisamos atacar o nosso sistema defensivo, como já estamos atacando. Como nos quatro jogos do Domínguez, vão falar que a amostra é pequena. Mas não é pequena para cobrar. Para elogiar, pode ser pequena. Então, a moeda tem que ser a mesma. Reduzimos o número de gols que estávamos sofrendo. A gente já reduziu o número de toques dentro da nossa área do adversário. Aumentamos a nossa expectativa de gols, e diminuímos a expectativa de gols do adversário. É um processo.

Te respondendo, vamos fazer um movimento sim de zagueiro, um perfil diferente. O nosso zagueiro com esse perfil que nos agrada está voltando agora, que é o Lyanco, até porque, possivelmente, teremos alguma saída dentre esses seis zagueiros.

Pergunta: Ainda sobre sistema defensivo, queria perguntar sobre primeiro volante. Os outros técnicos pediram a contratação dessa peça. A janela fechou e houve a única chegada de um volante, sendo que o Tomás Perez estava no time B do Porto. Ainda vai chegar outro volante para o Atlético nessa janela? Como você avalia essa posição?

Paulo Bracks: Ele não estava no time B do Porto. Eu falei isso outras vezes, mas é difícil as pessoas reproduzirem o que elas não querem. Não estou falando de você nem do seu canal. Mas era um atleta que, há um ano, o Atlético teria muita dificuldade de contratar. Ele foi disputado por Inter de Milão e Porto. A gente não teria chance. A gente conseguiu trazer esse jogador, que tem amostra pequena, um jogo de titular. E acreditamos que ele irá ajudar bastante nessa posição de primeiro volante, especificamente.

Nós temos sete, oito ou até nove volantes no elenco. A maioria deles pode fazer a função. Mas nenhum deles atente, com exceção do Pérez, uma reinvindicação que é externa, de um jogador mais agressivo como primeiro volante. Já falei isso em outras entrevistas. Repito tranquilamente: eu também gosto desse tipo de jogar. Para ver como minha função é difícil. Nem por isso o meu desejo pessoal vai passar por cima de um planejamento do clube. O nosso último treinador tinha o primeiro volante como um jogador-chave para ele. Tão chave, mas tão chave, que só um servia. Um. Um jogador que, a tal ponto da janela, que todo mundo sabe que a gente negociou, até bom jogador. Mas seria a segunda ou talvez a maior contratação do Atlético em termos de cifras. E não avançamos nessa contratação.

Em dado momento da janela, a comissão técnica deixou claro que se não fosse esse jogador, não precisava trazer ninguém. Eu ressalto isso porque, por mais que a gente tenha tentado jogadores de um nível maior, e eu já confessei que alguns a gente sentou para negociar, como Guido Rodríguez e Torreira. A gente não trouxe esse jogador no momento, por vários fatores. Não significa que não vamos trazer esse jogador no meio do ano, porque a gente, hoje, tem uma comissão técnica que compartilha com essa opinião nossa. E tudo fica mais viável e mais fácil de ser concretizado, quando há convergência dos tomadores de decisão.

Eu, como líder desse processo, e os tomadores de decisão que compartilham essa decisão comigo. Então, a gente continua a entender que não temos um perfil específico de um jogador com nível maior, que a gente vai buscar esse jogador, sim. Não queríamos trazer por trazer, peça por peça, trazer qualquer um, completa o meio de campo. Não fizemos isso. Hoje, temos jogadores que jogam e podem performar em alta naquela posição, em dupla, em par. Que passa por Maycon, o Pérez, o Franco, jogador da seleção, o Patrick, que fizemos questão que ficasse pois acreditamos nele, que passa pelo Cissé, nossa grande revelação do ano. Que passa pelo Victor Hugo, que passa pelo Alexsander que está voltando de lesão, e houve essa má sorte de termos Maycon, Alexsander e Cissé machucados. Acreditamos muito nos volantes que temos. Mas não significa que não vamos buscar essa peça no meio do ano, pois já ficou claro que queremos esse jogador.

Pergunta: Paulo, sei da sua luta e do seu valor, desde a FMF até agora, no Atlético. Mas acho que no Atlético tem muito cacique para pouco índio. Acompanhei uma entrevista do Pedro Daniel, que aliás não sei qual o conhecimento dele para falar de futebol. Mas acompanhei a entrevista quando ele disse claramente que todas as decisões tomadas no futebol têm que passar por ele. Você toma suas decisões ou lidera, como você disse. Mas elas são levadas ao Pedro Daniel. Eu acho que a sua função tem sido só tomar porrada, e você só aparece para tomar porrada. Seu trabalho fica mascarado, prejudicado, a partir do momento que você transfere responsabilidade. “Eu não falo sobre isso, eu não falo sobre aquilo, porque a função é de fulano, beltrano ou sicrano”. Eu acho que quem deveria estar sentado aí é o Rubens Menin, o dono da SAF. Porque ele pode falar que vai fazer isso, aquilo… Você está fazendo análise técnica, então quem tem que sentar aí no seu lugar para falar é o técnico. Falar que a função passa por um jogador tal ou tal, é o treinador que fala isso. Você aparece para tomar porrada. Quando você fala que sente tanto o quanto o torcedor, você sente muito mais. Infelizmente, não tem saída. A entrevista de hoje não é diferente da de janeiro, você está sendo repetitivo. Eu queria saber, e a pergunta – dando sugestão para a assessoria de imprensa, de que os 45 minutos deveriam ser contados das respostas, porque são longas, repetitivas, e nem todo mundo vai poder perguntar. Acho que esses 45 minutos tem que ser contados com o entrevistado. Qual é o poder que você tem de decisão? Usando um termo, sem pedir “bênção” para o Pedro Daniel? O que você pode garantir?

Paulo Bracks: Em relação ao tempo da entrevista, eu estou à disposição, não precisa cortar. Acho que isso aí é um procedimento de organização e estou aqui para atender vocês no tempo necessário. Sobre tomar porrada, faz parte da função. Um dos escopos é ser um para-raio sim, claro, minha função é essa. A gente tem se tornado vidraça no futebol brasileiro, como antigamente era o técnico. É uma realidade. Hoje, no Palmeiras, o Anderson Barros está questionado, do mesmo jeito o Boto no Flamengo, o Alexandre Mattos no Santos. Eu lido bem com isso. Estar numa função desse tamanho te dá responsabilidade e esse ônus.

Sobre o Pedro Daniel, eu preciso defender. Se você não sabe, eu sei. Ele é um profissional de alto gabarito, e extremamente competente. Que trabalhou nos grandes clubes através de uma empresa mundial de auditoria, conhecendo a fundo clubes que nunca vamos conhecer. O conhecimento dele é amplo suficiente para trazê-lo até aqui no Atlético. Ele tem contribuído bastante. Ele participa das decisões, e ele deve participar sim, porque no Clube há uma governança, é uma SAF. Precisa tomar decisões dentro da realidade financeira, limite orçamentário. Porque, se o clube não tivesse os buracos que teve, recentes, financeiro, talvez nem precisaria dele. Mas hoje ele é necessário. Ele comandou a discussão do Fair Play Financeiro no Brasil, algo que é uma reinvindicação que os bons clubes devem ter. Eu sou o líder do processo no futebol, mas as decisões têm que ser compartilhadas. Eu acho natural eu estar hoje aqui para falar com o torcedor do Atlético. Porque é um ambiente um pouco mais longo e mais proveitoso do que rápidas entrevistas após o jogo. Eu já tinha rascunhado essa entrevista logo após o Campeonato Mineiro. Não fiz após a vitória contra o Inter, entendi que não era necessário. E não fiz em Salvador porque não atenderia os 50 que estão aqui, pois todos vocês merecem minha atenção.

Se eu estou sendo repetitivo, é porque temos uma linha reta e direta dos objetivos no ano. Tomara que, daqui três meses, que eu quero fazer uma reavaliação do trabalho, que a gente possa estar mostrando resultados melhores do que mostramos de janeiro até aqui.

Pergunta: Sobre a questão de oxigenar elenco, o Atlético fechou ciclos, como o do Guilherme Arana, extremamente vitorioso e deixou o clube. Chegou o Lodi, recomposição direta. Em relação ao que pode acontecer daqui para frente, na sua avaliação, o Atlético precisa fechar mais ciclos? E não necessariamente de atletas que estão aqui há mais tempo…

Paulo Bracks: Eu acredito que ciclos se fecham naturalmente. Eu creio que especificamente em relação ao atleta que você citou, foi um entendimento dos dois lados. Acho que há também, às vezes, desgastes com o tempo. Isso é natural e normal. A reformulação do elenco passa um pouco por isso, sim. Passa por redução de média de idade, novos perfis, mentais também. É um processo que vai continuar. Enquanto tiver oportunidade no clube como o Atlético de ter entradas e saídas, vamos trabalhar nisso constantemente, temos um Centro de Inteligência que trabalha 24 horas com monitoramento de mercado. Não posso cravar que ciclos irão se encerrar agora, ou no meio ou final do ano, mas entendo que é natural no processo, sendo natural em momentos vitoriosos e em momentos de altos e baixos. Hoje, temos pelo menos dois jogadores que são sustentação para nós, que eu não gostaria que o ciclo se fechasse, que é o Everson e o Hulk.

Pergunta: Você mencionou há pouco que teve conversa dura com o elenco após a derrota para o Vitória. Teve a presença de algum membro da cúpula da SAF do Atlético nessa reunião?

Paulo Bracks: Não. Foi uma reunião que a gente teve na parte da manhã, logo após ter chegado de viagem. Deixamos de fazer isso no vestiário, lá no Barradão, para fazer poucas horas após dentro do CT. Foi uma reunião bem fechada entre nós, dia a dia, staff, grupo de atletas, de uma maneira que, quem viveu ali a partida, a viagem, teve esse complemento desse trabalho, que foi a conversa que tivemos todos lá, cobrança, confiança, de levantar a cabeça, de acreditar no que estamos fazendo. Conversa de reação, que precisa ser imediata. Uma conversa de indignação pelo que aconteceu. Não até tomarmos o primeiro gol, estávamos bem na partida, mas depois desandou. Foi uma conversa bastante interna.

Pergunta: O planejamento esportivo não tem agradado tanto o torcedor, que não tem se sentido representado dentro de campo, mesmo nas vitórias. O que você e sua pasta podem fazer para mudar esse status do torcedor?

Paulo Bracks: Um pouco do que eu pedi ao Eduardo Domínguez na reapresentação dele. Eu pedi a ele três coisas: time organizado, com alma e que o torcedor se identifique. São o segundo e o terceiro pedidos. A troca do comando técnico tem esse viés, time mais vibrante, agressivo com ou sem bola taticamente, e também animicamente. Essa identificação do torcedor, que é histórica do Clube, para quem conhece a história do Clube, precisa ser resgatado. É o trabalho do dia a dia, dos treinamentos, que não é só treino em campo, mas treino com vídeo, conversa, posicionamento, cobrança entre eles. É um dever que temos fazer isso mudar. A gente sabe que, historicamente, a torcida já aplaudiu vários times que tinham raça, vontade, e não necessariamente tinha resultado. Eu vivo isso na arquibancada nos anos 1990. Era um time de raça, vontade e entrega, mas não era um time que chegava nas finais grandes. E precisamos trabalhar para que isso, com o novo comando técnico e oxigenação que está sendo feito, e que isso crie uma identidade e que seja algo contagioso, contágio do bem que temos dentro do nosso trabalho. Ou seja, está identificado e estamos trabalhando isso. Se a gente não tivesse identificado isso, para mim seria um problema maior.

Pergunta: O Atlético vai contratar alguém nesse mercado interno até o dia 27 de março?

Paulo Bracks: Difícil. As opções que existem hoje nessa janela doméstica, a gente não entende, dentro das condições que existem… Porque a gente está trabalhando na janela doméstica, mesmo se não for trazer ou não, até porque o elenco não está fechado. Mas não temos convicção de elevação do nível do elenco hoje. Hoje, portanto, preferimos trabalhar dentro do planejamento com a nossa nova comissão técnica, nesse cenário de vários fatores, esperar a janela de mais opções, que é a partir de julho, quando teremos a parada. Teremos mais 12 jogos, fecharemos em 18 jogos no Brasileiro. Acreditamos que, com o retorno dos jogadores que estavam no departamento médico, o Lyanco, o Alexsander, agora o Maycon, e com os atletas de base, temos um elenco suficiente para estarmos em um nível bom até a parada da Copa do Mundo, para fazer intervenções melhores e maiores no mercado maior da janela do meio do ano. Não estamos 100% fechados a isso, nem para entrada e saída. Enquanto tiver prazo…. Já fiz contratação faltando 24h, já perdi jogador também em último dia de janela. Podemos fazer sim, mas acho difícil.

Pergunta: O Eduardo Domínguez já fez avaliação do elenco para você? Ele já passou algum tipo de necessidade? Na visão dele, o Atlético precisa de reforços, nem que seja nessa segunda janela? Há algum tipo de preocupação sobre essa questão? Ele fala que o time do Atlético ainda não sabe aonde quer chegar. E estamos vendo duas edições do Brasileiro brigando para não cair…

Paulo Bracks: O feedback é positivo do elenco, pelo simples fato dele ter aceitado deixar o Estudiantes, quando estava entrando no quarto ano de trabalho lá, com títulos, respaldo, sendo aplaudido de pé pelo torcedor do Estudiantes. Por isso, podemos concluir que a avaliação dele em relação ao nosso time é muito positiva. Ele não largaria o trabalho dele para começar um novo trabalho se ele visse que aqui ele teria dificuldade para trabalhar ou levaria ele para um passo para trás na carreira. A avaliação é positiva. Estamos trabalhando outros aspectos, se não táticos, se não técnicos, mas principalmente de parte física, de parte mental, anímica. Que passa pelo sistema de jogo, que passa por estratégia de jogo. E um controle emocional, sim. A gente não pode sofrer um gol e a partida “terminar”. Isso é um desafio que já detectamos. E que nós vamos trabalhar dentro do elenco. Isso já foi conversado, eu e ele, sobre isso. Não podemos ter atitude diferente que o jogo exige quando estamos atrás do marcador. Isso aconteceu nesse ano, não só com ele. Ele tem quatro jogos, sendo que um foi 0 a 0 e o outro 1 a 0. Aqui na Arena MRV, somando com o ano passado, tivemos cinco, seis, sete, oito jogos, que o enredo foi o mesmo, de não conseguir sustentar o resultado – Fortaleza, Flamengo, Palmeiras, Remo, Athletic, América, Betim… A gente sofreu isso. Então, isso tem que acender uma luz. Ela está acesa. E nós não vamos trabalhar para ter o mesmo desempenho do Brasileiro de 2025. Isso a torcida pode ter a convicção para que o nosso trabalho não faça a gente ter o mesmo dissabor do ano passado. E acreditamos na oxigenação do elenco e no trabalho dentro e fora de campo com a nova comissão técnica, para mudar esse fator.

Sobre pedir reforços, isso é interno. Mas já conversamos positivamente sobre isso. Não vou te falar número nem posição, mas falamos sobre janela de transferências do meio do ano.

Fotos: Daniela Veiga/Galo


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