“Às nossas jogadoras do futebol feminino, que estão, há longa data e de forma muito profissional, se preparando fisicamente, virtualmente, quero deixar aqui uma mensagem de esperança, de que esse período de pandemia já esteja próximo de começar a diminuir e que, no segundo semestre, a gente efetivamente retome os treinos e os jogos. O Atlético vai fazer todo o esforço para que isso aconteça, observando os critérios de segurança e os protocolos indicados, tanto para o futebol feminino quanto para a categoria de base. Quero crer que teremos um segundo semestre muito feliz e, se Deus quiser, estaremos juntos novamente, com todos os cuidados”, declarou o presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, em mensagem exibida no encerramento da live especial do Galo futebol feminino, exibida na noite da última quinta-feira (2/7), na TV Galo.
Participaram da live as atletas Ilana Medonça, Flávia Pissaia, Nathalia Rodrigues e Emily Cristina, além da coordenadora do Galo FF, Nina Abreu, e do preparador físico Guilherme Acácio.
Outra mensagem especial para as Atleticanas veio do vice-presidente do clube, Lásaro Cândido da Cunha.
“O futebol feminino ainda não voltou em praticamente nenhum clube no Brasil, a situação é difícil. Conseguimos retornar com o futebol masculino há sete semanas e o feminino e a base estão parados em função da pandemia que estamos atravessando, uma grande dificuldade. Todos nós da diretoria estamos preocupados com esse retorno, mas, ao mesmo tempo, temos que atuar com cautela para retornar no momento certo. Vamos torcer para que essa epidemia diminua e a gente consiga voltar logo. A gente precisa das nossas atletas do futebol feminino, dos jogadores da base, enfim, de todo o clube”, disse o vice-presidente atleticano, que foi exaltado pela coordenadora Nina Abreu e, também, pelas atletas.
“O Lásaro é o meu grande entusiasta dentro do clube. Ele abraçou a causa do futebol feminino desde o início. Ele esteve no Concórdia falando com as meninas no começo do projeto social. Esse ano, deu as boas-vindas a elas no CT. Todas as atividades que a gente consegue desenvolver dentro da cidade do Galo são chanceladas por ele e pelo Sérgio. Então, só tenho a agradecer”, destacou Nina.
Emily afirmou que as palavras da diretoria levam bastante conforto às atletas: “Até as meninas mais experientes já passaram por muita coisa no futebol feminino, nunca foi fácil, são muitas barreiras que a gente precisa enfrentar, então, chegar ao clube e encontrar uma pessoa como Lásaro, com essa aproximação com a gente e dando todo esse apoio, para a gente é muito importante. Traz um conforto mesmo., a gente se sente mais acolhida e mais respeitada”, disse.
Para Nathalia, as palavras de apoio da diretoria são uma alegria muito grande. Segundo ela, ter uma diretoria que respeita o futebol feminino é um grande avanço.
“Vocês não têm noção de como é escutar isso da Presidência. É uma coisa muito boa que nos acalenta porque a gente sabe como é difícil o futebol feminino. Então, ter um presidente, um vice-presidente, uma diretoria que respeita e apoia o futebol feminino. E não só que apoia, mas que também acompanha. Eu, que comecei no Atletico, a gente passou muita dificuldade na época, a gente recebia só passagem, era uma situação muito diferente, início do futebol feminino. Então, para hoje, um cara que move mundos e fundos para nós, que abre estádio para jogarmos um jogo que não é final de campeonato, temos que bater palmas para eles porque o que a diretoria está fazendo pelo futebol feminino hoje é uma coisa sensacional”, comentou.
Um dos temas abordados na live foi, é claro, a expectativa pelo retorno das competições. E, para falar sobre o assunto, ninguém melhor do que Romeu de Castro, supervisor de competições de futebol feminino na CBF, que também participou da live enviando uma mensagem de “otimismo e esperança”.
“Sei que existem muitas pessoas aflitas sobre o futuro das competições de futebol feminino no Brasil, mas as meninas não precisam ter medo. O nosso presidente Rogério Caboclo já declarou diversas vezes que estão mantidas, com total apoio da diretoria da CBF, todas as competições previstas no calendário de 2020. Portanto, as séries A1 e A2, da categoria adulta, além do sub-18, sub-16 e sub-14, na base, vão acontecer, mas no tempo certo e com toda a segurança. Muito em breve, vamos poder anunciar todas as novidades e adaptações necessárias para a retomada do futebol feminino, das nossas competições. A segurança, a saúde de todos, será nossa primeira prioridade. Todos os cuidados serão tomados e, no tempo certo, o futebol volta para alegrar o nosso país”, informou o supervisor.
O galo vem realizando um trabalho diferenciado para as suas atletas durante esse período de distanciamento social e treinamentos em casa. As Atleticanas estão mantendo a forma física com atividades passadas pela comissão técnica, que também inovou com aulas de entretenimento, como capoeira, dança e boxe.
As jogadoras do Galo Futebol Feminino também puderam acompanhar algumas palestras como, por exemplo, com o diretor médico do Galo, Rodrigo Lasmar, que falou sobre prevenção de lesões e prevenção à Covid-19.
Confira os depoimentos sobre os assuntos de destaque da live:
TREINAMENTOS NA QUARENTENA
Ilana: “Foi bem diferente. Treino em casa quando estou de férias, mas posso ir à academia, coisas desse tipo. Mas, na quarentena, não podia sair de casa, não tinha anda para fazer. Então, o Guilherme adaptou os treinos e passou alguns itens que poderiam ser usados, como o galão de água de dez litros, por exemplo, como peso. Então, temos algumas adaptações e estamos tentando fazer o máximo que dá, mas é uma rotina muito diferente da que estamos habituadas. Eu, por exemplo, não tenho campo, quadra, nenhum espaço aqui em casa, então, meu treino é praticamente todo físico, não tenho tido trabalho técnico, com bola. Mas, quando voltar, bem fisicamente nós estaremos. Onde meus pais moram, grande parte da população é indígena e tem um rio bem grande. Então, eu estava passando a quarentena lá com a família e treinando na natureza, fazendo remo, corrida no meio do mato. Fomos adaptando os treinos para não ficar parada, o importante é estar sempre em atividade”.
Guilherme: “A rotina de treino delas, por ser em casa, chega em um momento que passa a ser estressante. Temos que ter essa sensibilidade de que, às vezes, é preciso mudar um pouco sair da rotina e dar outras opções. Então, conversei com a Ilana e perguntei se ela tinha algum tipo de canoa lá. Ela falou que tinha, aí peguei dois vídeos com informações técnicas da remada e passei para ela. A gente procurou adaptar o que era possível. Então, buscamos o básico, estabelecendo exercícios que elas já conheciam, não tinha razão para ficar inventando muito nesse momento. Também tem essa coisa da monotonia, da repetição, todo dia treinando em casa. Foi onde surgiu a ideia de um trabalho mais lúdico na sexta-feira, então, trouxemos aulas de boxe, zumba, capoeira, e desafios entre elas. A cada sexta-feira, a gente tenta inventar algo para sair da rotina diária”.
Flávia: “Estou em casa, em Santa Catarina. Consegui improvisar bem os treinos que o Guilherme passou, acho que todas as meninas conseguiram. Vamos fazendo esses treinos para manter a forma física e, quando voltar, fazer os trabalhos táticos e técnicos para voltarmos bem ao campeonato”.
Emily: “Para mim, está sendo um grande desafio porque, além das questões físicas, temos que ter um bom psicológico. Acho que a questão é muito mais mental do que física. Mas o Guilherme está montando várias atividade, tivemos até aula de zumba, capoeira, então, foi muito bom porque fica desgastante realmente, a gente não está acostumada com essa rotina. Então, só tenho a agradecer tudo que o Gui tem preparado para a gente, até eu estou aprendendo a dançar um pouco, as meninas até me zoaram. É um desafio muito grande e temos que trabalhar bastante o nosso psicológico porque isso é muito importante”.
PALESTRAS
Nina: “Foi muito legal. A partir da sugestão da comissão técnica, buscamos as personalidades e acho que fomos muito felizes nessas escolhas. Tivemos o Rodrigo Lasmar, o Renato Miranda, um psicólogo da Universidade Federal de Juiz de Fora, sobre domínio emocional e tomadas de decisão”.
Nathalia: “Foi muito bacana porque eles nos trazem experiências que já viveram para nos ajudar nessa situação. Não é fácil ter um autocontrole, ficando em casa, passam mil coisas na nossa cabeça e chega uma hora que a gente acaba dando uma explodida”.
EVOLUÇÃO DA ESTRUTURA E PANDEMIA
Nina: “Foi um balde de água fria. A gente vinha em uma crescente muito grande. Conseguimos, não quero deixar de citar alguns, mas o Sérgio liberou e viabilizou que o futebol feminino jogasse na Arena Independência. Era o nosso maior propósito. Temos plena consciência de que não dá para entrar no CT e usar todas as instalações, que existem acordos a serem tratados, mas, jogar no Independência, foi o suprassumo. Estávamos super eufóricos por conseguir jogar no independência e veio a pandemia, o primeiro jogo já foi sem torcida.
Guilherme: “Foi um balde água fria em todo o planejamento, toda a programação que a gente vinha fazendo. O primeiro pensamento foi saber o que a gente faria a partir dali, mas tivemos certeza que não iríamos parar. A gente se reuniu e buscou a melhor maneira possível de sanar ou minimizar toda essa situação. Conseguimos chegar no ideal, os treinos estão acontecendo de forma on-line, diariamente. Estamos treinando há 63 dias dessa maneira. Primeiramente, entregamos uma planilha de treinos para cada atleta e, quando iniciamos os treinos on-line, demos sequência com toda nossa programação”.
Ilana: “Ninguém esperava por esse momento. A gente vinha trabalhando há um mês e 15 dias antes da estreia no campeonato e, antes do jogo, dois, três meses antes, soubemos que chegaria ao Brasil, mas não que chegaria nesse ponto de ter que parar os treinos, ficar em casa. Infelizmente, isso aconteceu. Achei que seria uma coisa rápida, de no máximo 30 dias e, hoje, já estamos aí com mais de 100 dias de pandemia, de quarentena. Mas o trabalho continua, não paramos. Desde quando fomos para casa, tínhamos um planejamento e seguimos trabalhando”.
Emily: “Foi um susto bem grande mesmo, mas, ao mesmo tempo, fiquei tranquila porque eles deixaram bem claro que nosso grupo continuaria focado, como está, com os treinamentos, todas mantendo sua rotina, juntas todo dia, com os treinamentos on-line. Então, foi um balde de água fria, mas, ao mesmo tempo, fiquei tranquila porque temos um grupo muito focado e isso me tranquilizou bastante”.
Flávia: “Como todos disseram, foi um balde de água fria, ninguém esperava isso, mas, graças a Deus, estamos conseguindo treinar on-line, manter a performance. Espero que tudo isso passe logo para que possamos voltar a jogar”.
Nathalia: “Nosso grupo está muito focado. Por mais que treinar dentro de casa não seja o ideal e o que a gente queria estar fazendo, estamos treinando todos os dias. É manter assim até que a situação se acalme para que possamos voltar a jogar futebol, que é o que a gente gosta”.
ESTREIA NO CAMPEONATO BRASILEIRO COM PORTÕES FECHADOS
Nina: “Quando assumi o projeto do futebol feminino, eram muitas as carências, em todos os setores. Fomos suprindo, o Atlético foi entregando, a gente saiu do Concórdia e foi para o CT, temos uma mobilidade entre o CT e a Vila Olímpica, a gente faz as refeições hoje dentro do centro de treinamento e isso é um avanço muito grande. A gente entrega ao futebol feminino uma estrutura muito bacana. Então, fiquei muito satisfeita em conquistar mais essa estrutura, do Independência. Conseguimos o independência na terça e, na quinta, a CBF vetou a presença de público. Geralmente, as meninas jogam em um grande palco nas finais e conseguimos, esse ano, estrear no Independência. Não posso me furtar de ter tido a imensa alegria de entregar essa estrutura para elas. Fiquei triste sentindo que aquele estádio poderia estar aberto ao público, mas é uma questão de tempo”.
Emily: “Foi aquela expectativa, a gente havia até feito vídeo, chamando a torcida e tudo mais. Quem é atleticano e já foi ao estádio, sente a energia da torcida e creio que o time levou essa energia toda para campo, mesmo sem ninguém dentro do estádio. A gente sentiu como se todo mundo estivesse lá, gritando por nós, dando aquela moral. Então, por mais que o estádio estivesse vazio, conseguimos levar essa energia para dentro de campo e isso foi muito importante”.
Nathalia: “A sensação, por mais que estivesse vazio, foi de algo muito especial. Para quem é atleticana, como eu, pisar no estádio com a camisa do time que torço é sensacional. Sem contar que eu já havia passado pelo Atlético antes, então, estar ali, de novo, com o clube tendo uma estrutura completamente diferente do que era antes, quando joguei a primeira vez, foi muito bom, fiquei muito emocionada“.
Ilana: “Nós, do futebol feminino, sabemos que para jogar em um estádio do nível do Independência, é só final e semifinal. E olhe lá. Tem alguns times de camisa que nem isso fazem. Então, sabemos a grandeza que foi isso, não só para a gente, mas para o futebol feminino em si. O Atlético vem dando para nós uma estrutura de ponta, nos colocando no Independência, e a emoção é incomparável. Claro que a gente queria que a Massa estivesse presente porque ajudaria bem mais, a Massa não se compara, mas, infelizmente, não foi dessa vez. Esperamos que tudo isso possa passar para que possamos jogar no Independência com o apoio da torcida”.
Flávia: “Fiquei muito feliz com a notícia de que iríamos jogar no Independência, a emoção foi muito grande. Não conseguimos a vitória, mas, se a torcida estivesse ali, conseguiríamos fazer o último passe e chegar ao gol”.
Guilherme: “A gente tenta levar para as meninas esse momento especial. Eu tinha que proporcionar para elas um momento especial porque quem está dentro do espetáculo são elas, estamos ali apenas par dar um suporte. Então, minha felicidade maior era ver a alegria delas e ver o quanto o Atlético ajudou em dar essa oportunidade para elas de jogar lá, fazer com que elas se sentissem da melhor forma possível. Foi, realmente, algo inexplicável ver esse sorriso no rosto delas”.