ITA
Técnico analista derrota do Galo no Brasileirão
Pergunta: Queria que você analisasse a partida e o resultado ruim, com o time bastante modificado, muita gente que não joga junto. Qual o impacto disso e como você viu a atuação do Atlético?
Cuca: “Vi um primeiro tempo bastante igual. O São Paulo fez o primeiro gol com vinte e poucos minutos, o primeiro arremate a gol. Até então, não havia tido nenhuma oportunidade. O jogo era bastante controlado. Nós tivemos o gol que, milimetricamente, foi anulado também (impedimento de Vitor Hugo). Poderíamos ter saído com o empate no primeiro tempo, tivemos uma bola do Rony que passou perto, e eles tiveram mais uma que o Everson defendeu. Foi bastante equilibrado”.
“No segundo tempo, lógico, temos que sair mais para o jogo, nós temos que tentar empatar o jogo, e à medida que fizemos as trocas, ideias para colocar o time mais à frente, jogador descansado, sem desgastar ninguém para o próximo jogo que temos, nós não tivemos aquela entrada que surtiu efeito. Não criamos no segundo tempo, o São Paulo defendeu bem. Não tinha criado chances de gol até ter feito o segundo gol numa bela jogada. Naquele momento, também, eu já tinha descansado o Alan Franco, já tinha mexido no setor defensivo, aberto mais o time, porque não mudava nada perder de 1 a 0 ou 2 a 0. Tentávamos buscar o empate. Depois, demos uma bola na trave. Pelo segundo tempo, pelo que o São Paulo jogou, foi um placar justo”.
Pergunta: Queria que você falasse como foi a montagem desse time, porque o Atlético não prioriza a competição, mas foi um time praticamente reserva contra o São Paulo…
Cuca: “São riscos calculados que você tem que correr. Quem toma decisões sabe disso. Quem fala que você está certo ou errado é o futuro. Se no futuro as coisas forem positivas para nós, fizemos o certo. Caso contrário, estaremos errados. Eu faria de novo a mesma coisa que eu fiz”.
Pergunta: Depois do turno iniciando, é muito difícil o Atlético brigar pelo título do Brasileiro. Podemos dizer que as prioridades são as Copas? É isso que será o foco até o fim da temporada?
Cuca: “Sim, lógico que é isso, até pelo que jogamos quinta-feira à noite, viagem desgastante para cá. Se você coloca o time titular pra jogar, você não tem a certeza de um bom resultado, mas a certeza de um grande desgaste para o próximo jogo que é importante também. O que foi feito foi calculado. Jogar com um time reserva traz mais chances de derrota, sabíamos disso. Mas saio muito contente pelo primeiro tempo que jogamos, foi de igual para igual. No segundo tempo não foi diferente, mas tomamos um gol que acabou decretando o resultado final. Com 1 a 0 até o fim, você tem a chance de empatar em qualquer ataque, como foi aquela bola na trave. Acho que as medidas que tomamos foram acertadas. Agora, é mobilizar para quarta-feira”.
Pergunta: O Atlético está com uma distância de cinco pontos do Z-4 e é o único time, além do Fluminense, a jogar Sul-Americana e Copa do Brasil. Ano passado foi algo parecido, brigando para não cair na última derrota. A situação do Atlético no Brasileiro te preocupa?
Cuca: “Boa a sua pergunta. São poucos elencos que conseguem estar em três frentes e não ter prioridade. Não temos elenco tão grande assim para colocar o time titular aqui hoje. Lógico, temos que somar o máximo de pontos possíveis no Brasileiro, não deixar de lado, mas hoje era um jogo para fazer essa escolha, e vocês sabem o motivo. Nós temos dois jogos em casa a menos no Campeonato Brasileiro. Nos últimos oito jogos, considerando o próximo contra o Vitória, foram seis jogos fora de casa: Bahia, Palmeiras, Flamengo, Vasco, São Paulo e Vitória. Tivemos só dois jogos em casa, o Bragantino, que vencemos, e o Grêmio que derrapamos. Tem o Sport e o Fortaleza em atraso, não é certeza de vitória, mas probabilidade boa. Isso vai ajudar a equilibrar a situação. E temos que ter força onde estamos mais próximos. São cinco jogos que podem te colocar no título da Sul-Americana, ou da Copa do Brasil. Lógico, você vai colocar força maior nessas duas copas”.
Pergunta: Você entrou com três jogadores titulares, e muitos sendo testados em campo. Há algo positivo para se tirar dessa derrota?
Cuca: “Eu gostei do jogo do time no primeiro tempo, não falo individualmente. Um time todo mexido e que jogou igual. Poderia ter feito gol no primeiro tempo, e fez, milimetricamente impedido, não sofreu grandes sustos, uma bola que o Everson defendeu. Mais um gol que a gente tomou no primeiro ataque do São Paulo. No segundo tempo, o São Paulo também não teve grandes chances. Nós também não tivemos. Mas gostei da equipe no primeiro tempo”.
Pergunta: O Júnior Santos chegou a dizer na zona mista que precisava de sequência no time. Ele chegou no Galo, teve lesões, um grande investimento. E o torcedor quer saber porque o Júnior Santos não vingou no Galo.
Cuca: “Eu posso fazer ele render mais, também,. Jogador tem que ter confiança para jogar, de repente ele não está tendo todas as oportunidades que ele merece. A gente não cuida só de um jogador, mas do grupo inteiro, tentando fazer o mais justo e correto para todos. Confiamos que ele ainda dará a volta por cima”.
Pergunta: Pensando no jogo contra o Cruzeiro, você utilizou o Vitor Hugo nos dois últimos jogos, como foi o desempenho dele? Hoje, o Gabriel Menino atuou na lateral direita, seria uma possibilidade pensando no clássico?
Cuca: “Sim, muitas coisas que a gente fez hoje foram pensando no Clássico. A principal delas é tirar o time, não posso correr o risco de jogar, de perder jogadores lesionados nesse momento. Você vê o tamanho da falta do Lyanco, do Saravia. E se você perde jogadores importantes em alguma posição que você não tem reposição à altura, vai fazer muita falta. Não podemos correr esse risco. Se você está certo ou errado, o tempo irá dizer. Mas repito, eu fiz com consciência o que fiz hoje, de tirar o time titular, e faria de novo igual”.
Fotos: Pedro Souza/Galo
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