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ARTILHEIRA

“Você tem a cara do Galo”: a trajetória de Pimenta nas Vingadoras

Com gols, personalidade e alma alvinegra, Pimenta escreve sua história no Galo

15/6/2026 14:41
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“Você tem a cara do Galo”. A frase ficou marcada na memória de Pimenta antes mesmo da sua chegada ao Atlético. Naquele momento, a atacante ainda não imaginava que meses depois se tornaria a artilheira das Vingadoras na temporada, uma das goleadoras do Campeonato Brasileiro Feminino e símbolo da competitividade que marca o time feminino atleticano.

Mas a identificação não aconteceu por acaso.

Nascida em Sanclerlândia, no interior de Goiás, Pimenta construiu sua trajetória cercada por valores que a acompanham até hoje: trabalho, persistência, gratidão e uma vontade constante de vencer. Características que começaram a ser moldadas ainda na infância, quando treinava e jogava futebol ao lado de meninos mais velhos.

“Eu tinha dez anos e treinava com meninos de quinze. Sempre gostei de competir.”

Se a família ajudou a construir a mulher que Pimenta se tornou, o futebol moldou a competidora. Artilheira das Vingadoras em 2026, a atacante transformou a frieza diante do gol em uma de suas marcas registradas. Em um esporte cujo a pressão costuma pesar, especialmente nas cobranças de pênalti e nos momentos decisivos, ela prefere simplificar.

“Eu nunca levei pressão como pressão. Sempre pensei em dar o meu melhor. Se der certo, deu.”

A mentalidade ajuda a explicar por que a atacante se tornou uma das principais referências ofensivas da equipe na temporada. Com oito gols em 13 partidas, Pimenta alia a tranquilidade nos momentos decisivos à capacidade de assumir responsabilidades dentro de campo.

Entre os detalhes curiosos de sua trajetória está o fato de ter um irmão gêmeo, João Cleber. Os dois seguiram caminhos distintos ao longo dos anos. Enquanto ela transformou o futebol em profissão, ele sonha em se tornar advogado.

Foi justamente o apoio das pessoas mais próximas que se tornou fundamental quando a carreira exigiu um dos maiores desafios da jovem atacante: deixar a própria casa para perseguir o sonho de viver do futebol.

“No começo eu queria desistir e voltar. Não aguentava mais ficar longe de casa.”

Foi nesse momento que duas pessoas tiveram papel decisivo para mantê-la firme no caminho que escolheu seguir: a mãe, Kele, e o padrinho, Reginaldo.

Das mãos da mãe aos gols da artilheira

Manicure, Kele trabalhou dobrado para ajudar a filha a continuar perseguindo o sonho de ser jogadora profissional. Já Reginaldo organizava amistosos, levava a afilhada para competições em Goiânia e incentivava a jovem atleta a acreditar no próprio talento.

“Minha mãe foi tudo no meu começo. Alicerce. Ela sempre me ajudou em tudo. Quando eu jogava no Santos, ela trabalhava dobrado para me ajudar a pagar os custos que tinha e me incentivar. E o Reginaldo foi uma pessoa que nunca me deixou desistir.”

A ligação com a família segue sendo uma das maiores motivações da atacante.

“Minha família significa tudo. É o que eu coloco na chuteira e no meu coração para entrar em campo. Eu quero coisas melhores para eles. É isso que me faz ser disciplinada, dedicada e dar o meu melhor.”

As raízes de Sanclerlândia também permanecem vivas nas lembranças da infância. Os avós, Divino e Maria, ocupam um lugar especial em sua história. Antes das partidas, uma ligação da avó se transformou em tradição.

“No jogo contra o Vitória, ela me ligou e falou que eu faria um gol de cabeça. Eu fui lá e fiz. E é assim sempre. Ela liga, e eu fico tranquila”, afirmou a atacante, sem esconder o carinho ao lembrar da avó.

De meio-campo à atacante

O amor pelo futebol surgiu cedo, mas a posição de atacante veio apenas anos depois. Durante boa parte da formação, Pimenta atuou no meio-campo. Foi no Flamengo que aceitou um novo desafio e descobriu o faro de gol que a acompanha até hoje.

“Quando cheguei ao Flamengo, eu era meio-campista e falaram que precisavam de uma atacante. Até por indicação da Diovanna, nossa lateral, que jogava comigo lá, eu resolvi me arriscar. Foi ali que começou minha história de fazer gols.”

A mudança deu resultado. No clube carioca, foi campeã da Copinha, campeã brasileira Sub-20 e terminou como artilheira da competição nacional da categoria. Também teve a oportunidade de conviver com grandes nomes do futebol feminino, como Cristiane.

As referências, porém, vêm de muito antes.

“Marta sempre foi minha referência desde criança. Ela e Cristiano Ronaldo.”

Chegada ao Galo

No Atlético, encontrou um ambiente no qual sentiu que poderia viver um novo capítulo da carreira. O convite para vestir a camisa alvinegra aconteceu também por intermédio da técnica Fabi Guedes, profissional que ela faz questão de destacar.

“A Fabi é referência para mim. Ela me motiva, me ensina. Merece tudo o que está vivendo e eu sei que ela tem muito para vencer. Estarei sempre com ela.”

A decisão de aceitar o desafio veio acompanhada de uma sensação especial.

“Quando falaram para mim que eu tinha a cara do Galo, eu senti que era Deus falando comigo.”

Meses depois, a conexão parece cada vez mais evidente. Artilheira das Vingadoras na temporada, com oito gols em 13 partidas, Pimenta transformou em números aquilo que sempre carregou como característica: a vontade de vencer. Decisiva em jogos importantes, fria diante do gol e cada vez mais identificada com a camisa alvinegra, a atacante vive um dos melhores momentos da carreira.

E entre tantas comemorações em 2026, uma segue guardada com carinho especial. Na partida diante do São Paulo, Pimenta deixou duas marcadoras para trás antes de finalizar com categoria no canto. O lance, que reuniu técnica, confiança e poder de decisão, foi escolhido pela atacante como o gol mais bonito da temporada até aqui.

 

Os sonhos continuam grandes

A Seleção Brasileira segue como um dos principais objetivos da carreira, e ela já teve o primeiro gostinho dessa experiência ao defender o país na categoria Sub-20. Fora das quatro linhas, também projeta o futuro: pretende cursar Educação Física e abrir a própria academia. Um ambiente que frequenta com a mesma dedicação com o qual busca as redes adversárias — lugar onde, como boa artilheira, já se sente em casa.

Mas, independentemente dos próximos capítulos, existe uma característica que acompanha sua caminhada, dos campos de Sanclerlândia até a Cidade do Galo. A vontade de vencer.

Não por acaso, quando ouve um dos versos mais conhecidos do hino alvinegro — “Vencer, vencer, vencer. Este é o nosso ideal” a atacante não hesita ao se identificar.

“Esse é o espírito! Com certeza.”

E talvez seja justamente por isso que aquela frase ouvida antes de chegar ao Clube faça ainda mais sentido hoje.

Pimenta tem, mesmo, a cara do Galo!


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